O Conselho de Ética da Câmara se reuniu, na tarde de ontem, e poderá reabrir, até o fim da semana, processo para investigar quebra de decoro parlamentar de Jepy Pereira (PSDB). O tucano teria permitido, no ano passado, que seu então assessor, Júlio Ricci, dividisse seu salário com uma terceira pessoa, Dejanir da Silva, que atualmente assessora o vereador.
O caso chegou a ser investigado pelo Ministério Público, mas acabou arquivado depois que Jepy assinou um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) se comprometendo a parar com a prática. O inquérito do MP foi utilizado como base pelo Conselho de Ética, que chegou a abrir procedimento interno, que não deu em nada.
Segundo apurou a reportagem, os membros do conselho, Valter Gomes (PSB), Gilson Pelizaro (PT) e Donizete da Farmácia (PMN), não analisaram a contento a documentação, limitando-se a imitar o MP e arquivar o processo contra Jepy.
Evidência disso é a gritante contradição nos depoimentos do tucano e de seus auxiliares. Na Promotoria, Jepy reconheceu, em seu Termo de Declarações, que “a divisão acontecia no passado”. Os dois assessores, estranhamente, negaram que houve divisão a qualquer tempo. O possível ato de improbidade passou batido.
Além disso, Jepy já havia assumido, em entrevista ao Comércio, que “tinha conhecimento” da divisão e que Dejanir, atualmente seu assessor titular, “recebia 500, 600 contos” por mês para ajudar Ricci.
Agora, o conselho resolveu rever o caso. Pelizaro, que é o relator do processo, solicitou ontem ao Comércio a gravação na qual Jepy assume para a reportagem que sabia da divisão. “É um fato novo que teremos de averiguar. Se realmente comprometer, tomaremos todas as medidas necessárias”, disse.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.