Sem nenhuma espécie de trocadilho. Essa é a realidade para quem trabalha no setor público e, em menor escala, para aqueles que atuam na iniciativa privada, pois a grande maioria de trabalhadores só vê o salário em mãos depois de passar por um banco todos os meses.
Antes, a transação era diferente. Salário é uma palavra bem antiga. Sua origem está no sal, produto utilizado em outras épocas para quitar, saldar, o montante devido pelo patrão ao empregado. Depois veio o dinheiro para facilitar as trocas e posteriormente os agentes financeiros criaram as suas suntuosas catedrais modernas, em forma de banco, que cobra tudo do cliente. Mas isso já é outra história.
Voltando para a remuneração salarial, há correntes do pensamento humano que sempre apregoaram ser o trabalho uma fonte de exploração. Muitos estudiosos da área trabalhista demonstram o quanto a mão-de-obra é explorada por parte do capitalismo. Assunto esse, sem dúvida, dos mais contraditórios, uma vez que a oferta de serviço acaba provocando o desenvolvimento econômico e social paralelamente.
No entanto até hoje o trabalhador ainda acaba sendo espoliado em seu salário. É um absurdo uma pessoa ter de pagar para receber os seus próprios vencimentos, a cada mês que trabalha. Noutras palavras, se o patrão deposita mensalmente o salário de seu empregado em um determinado banco e este cobra tarifa do assalariado para que possa sacar os seus proventos, não existe outro nome para essa prática: é mesmo pagar para receber. Por outro lado, toda e qualquer proteção trabalhista sempre resguarda o direito de quem trabalha receber em moeda corrente, sem nenhuma despesa extra.
Para proteger o direito do trabalhador, o Banco Central, seguindo decreto federal, normatizou o recebimento de salários, em abril de 2007, obrigando as instituições financeiras a fornecer o serviço de conta-salário, sem tarifa alguma de manutenção, para aqueles que nelas têm depositados os seus vencimentos, pelo próprio empregador.
Mesmo assim, o governo estadual paga seus funcionários pela antiga Caixa Econômica Estadual e essa instituição financeira mantém as contas tarifadas, recusando-se a abrir contas-salário, sob a alegação de que existe um contrato com vigência até 2012.
Não bastasse isso, com o empregador pagando funcionários através de seu próprio banco, cria-se uma situação de colocar a raposa para cuidar do galinheiro, já que a Nossa Caixa, além de cobrar tarifas exorbitantes, ainda impõe limites nos serviços prestados.
Para se ter uma idéia, o correntista tem direito a consultar o saldo de sua conta por seis vezes ao mês, a partir desse limite, passa a ser cobrada a taxa de um real a cada verificação. E o negócio vai crescendo em cascata.
ANTÔNIO ARAÚJO é professor. E-mail: tonin.palavras@uol.com.br
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