A volta da gigante


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“Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto / Eu tô voltando / Põe meia dúzia de brahma prá gelar, muda a roupa de cama / Eu tô voltando / Leva o chinelo prá sala de jantar (...) Quero lá lá lá iá, lá lá lá lá lá iá, porque eu tô voltando”. O sucesso, imortalizado pela cantora Simone, é a cara da nova fase da Calçados Samello. Uma das mais tradicionais indústrias calçadista do País, a empresa francana estava parada desde 16 de outubro de 2006. Até o começo de janeiro - mais de um ano, portanto - ficou sem produzir sequer um par de sapato. As dívidas da indústria, negociadas judicialmente, batiam a casa dos R$ 90 milhões e ainda não foram pagas completamente. A boa notícia é que, contrariando as expectativas dos mais pessimistas, a Samello voltará a produzir. Fevereiro é a data indicada pelos donos para o regresso ao mercado. Não podemos fechar os olhos: a volta da produção é uma grande notícia, mas a empresa ainda têm muitos degraus para percorrer. A dívida é alta e mesmo alguns trabalhadores ainda não receberam. É possível, contudo. A retomada indica que, hoje, está menos difícil para a empresa se reerguer do que há um ano. Embora a meta inicial seja discreta e distante dos 12 mil pares que a empresa chegou a fabricar diariamente, é uma notícia positiva e simbólica para o setor calçadista francano: se os 500 pares e aproximadamente 50 postos de trabalho que a empresa vai gerar nesta nova fase não interferem crucialmente nas estatísticas do setor, a volta da Samello é capaz de trazer ânimo novo às empresas de Franca e faz com que seja possível prever um ano de menos complicação para as indústrias da grande vocação francana. O local da fábrica será mantido. O barracão da Rua General Osório comportará a linha de produção, já que o maquinário recebe manutenção rotineira e está em plenas condições. Miguel Sábio de Mello Neto, presidente do Grupo que comanda a empresa, acredita ainda que, até o fim de 2008, a Samello seja capaz de produzir 2 mil pares por dia. É um chute alto, mas possível. A empresa já negociou e tem pedidos dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Com a produção iniciada, tentará retomar os negócios externos. Boa atitude. Melhor que isso, com a reestruturação da empresa, a expectativa é que os erros cometidos no passado sejam deixados de lado. A aposta no mercado interno de alto valor agregado, nos primeiros meses, e depois na exportação parece, nesse sentido, o mais sensato a fazer. EXPORTAÇÃO Diz despacho da Abicalçados (Associação Brasileira da Indústria de Calçados). “Após amargar quedas consecutivas ao longo do ano, 2007 fechou com um saldo estabilizado para o setor calçadista brasileiro. Os dados finais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indicam que as exportações geraram recursos na ordem de US$ 1,91bilhão, um acréscimo de 2,6% sobre o ano anterior, que havia sido de US$ 1,86 bilhão. O volume de pares, entretanto, caiu 1,9 por cento e os embarques fecharam em 177 milhões de pares contra os 180,4 milhões de 2006”. A elevação do preço médio foi a principal causa do desempenho positivo das exportações brasileiras. O índice fechou em 4,5% sobre o acumulado. No ano passado, o par de sapatos made in Brazil custou a média de US$ 10,80, contra US$ 10,33 em 2006. EXPORTAÇÃO II Continua a nota nos dizendo que a entidade não comemora os números, pois tanto o volume quanto o faturamento poderiam ser muito superiores, caso a defasagem cambial e a carga tributária não tivessem persistido. ‘Nós teríamos crescido tranqüilamente 20 a 30% caso tivéssemos tido condições favoráveis para exportar. Não podemos comemorar uma estagnação, pois ficamos nos mesmos níveis do ano passado”, avalia o presidente da Abicalçados, Milton Cardoso. EM FRANCA Os dados nacionais não são muito diferentes da realidade observada em Franca. Comparando o setor entre janeiro e novembro de 2006 e o mesmo período de 2007, o preço médio do calçado francano subiu 23,82%. Em compensação, a cidade exportou 14,53% menos pares (4,9 milhões de pares contra 5,8 milhões de pares). Já nos recursos gerados, a queda foi menor: 6,94%, passando de US$127 milhões em 2006 para US$ 118 no ano passado. LEITURA Na prática, significa que a cidade exportou menos a um custo maior. Boa notícia, já que a tendência, hoje, é o investimento nos sapatos de maior valor agregado.

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