Os últimos segundos de vida do lavrador José Luiz de Souza foram presenciado pelo filho de apenas 11 anos. Luiz Felipe Gonçalves viu o pai se afogar e tentou puxá-lo. Sem condições físicas para socorrer um homem, a criança ainda teve um breve diálogo com o pai, antes que ele desaparecesse na água barrenta da represa. O menino disse em entrevista ao repórter André Poeta, da Rádio Difusora, que o lavrador chegou a se despedir.
Rádio Difusora - O que aconteceu?
Luiz Felipe - Ele estava brincando, pulando na água, zoando. Estava tudo bem. Meu pai gostava de vir aqui na represa. Eu mesmo já vim com ele neste lugar.
Difusora - Você sabe nadar?
Luiz Felipe - Não. Eu tenho um pouco de medo.
Difusora - Você viu ele caindo?
Luiz Felipe - Vi sim. Meu pai subiu no tronco e estava brincando nele. Acho que ele rolou e caiu.
Difusora - Seu pai sabia nadar?
Luiz Felipe - Ele sabia. Meu pai nadava muito bem. Não sei o que aconteceu.
Difusora - Você achou que ele estava brincando?
Luiz Felipe - No começo sim, mas depois vi ele acenando e afundando.
Difusora - Você tentou ajudá-lo?
Luiz Felipe - Ele balançava a mão. Assim tipo afogando (sic). Comecei a chorar e junto com meu vizinho tentei puxar o braço dele. A mão dele escorregou.
Difusora - Ele pedia socorro?
Luiz Felipe - Ele falou comigo antes de afundar uma vez. Ele disse: tchau, meu filho, cuida da minha família. Daí comecei a chorar e ele sumiu.
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