A vocação do cristão


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Depois de encerrar o tempo litúrgico do Natal com a festa do Batismo de Jesus, a Igreja inicia o tempo litúrgico comum, onde não há festa especial e a liturgia da palavra apresenta relatos dos milagres e palavras de Jesus e os ensinamentos aos apóstolos. Brevemente este tempo será interrompido pela quaresma. Aqueles que foram batizados são chamados “cristãos”. Ser cristão não é um mero título, mas revela uma missão e toda missão traz no seu íntimo uma vocação. É uma vocação exigente, pois somos pecadores. Todo pecado que cometemos nos atrapalha a cumprir esta missão, mas, não a interrompe. A primeira leitura do livro do profeta Isaías relata a figura do Servo do Senhor. Ele é escolhido por Deus desde o ventre materno e é enviado para cumprir uma grande missão. Israel está como prisioneiro numa terra estranha (Babilônia) e todos os seus sonhos de sucesso e de vitória estão diluídos no nada. Nesta situação calamitosa, Israel é escolhido para levar a luz e a salvação a todos os povos. É através deste povo sofrido que Deus manifestará a sua glória. Por que Deus age assim? É o seu estilo: ele costuma servir-se de instrumentos fracos para realizar obras extraordinárias. Este servo é a imagem do verdadeiro Servo fiel ao Senhor: Jesus de Nazaré. Na cruz ele trouxe a salvação ao mundo. A morte de cruz era o maior escândalo na época de Jesus. A vocação de Israel, a vocação de Jesus e a nossa vocação de cristãos têm algo em comum: devemos ser portadores da luz de Deus ao mundo. Cumpre esta missão quem aceita servir os irmãos e desenvolve o ministério que lhe foi confiado. A segunda leitura é da primeira carta de São Paulo aos Coríntios. O apóstolo quer responder a uma série de problemas que tinham surgido naquela comunidade: divisões, imoralidades, invejas, falta de caridade e outras situações tristes. A leitura quer ajudar-nos a pensar sobre os acontecimentos difíceis vividos na Igreja, as contrariedades que são vivenciadas nesta grande família. Paulo afirma que é “apóstolo por vocação”. Ele fala da sua autoridade, pois, recebeu um “chamamento” pessoal. Ele foi escolhido para uma missão. Apóstolo significa que ele é enviado para anunciar o evangelho nos lugares onde dele ninguém nunca teve notícia. Em seguida ele afirma que os cristãos de Corinto possuem uma “convocação”, ou seja, são chamados, são escolhidos por Deus. O apóstolo tentando fazer desaparecer os problemas ali existentes, trata do tema da “unidade”. Esta é a atitude que deve reinar entre os que acreditam em Cristo. No evangelho escrito por São João encontramos a figura do Batista que relata o caminho espiritual que todo cristão deve percorrer para descobrir que Jesus é o Cordeiro de Deus. João diz que não conhecia Jesus. Este é o ponto de partida do caminho espiritual de cada um. João fala de Jesus como se fosse somente um homem. Mais adiante Deus ilumina João que abre por completo os olhos quando certo dia percebe que Jesus está presente e está atuando nele o Espírito de Deus. João descobre a verdadeira identidade de Jesus. O cristão é chamado a descobrir e reconhecer com fé que Jesus é o filho de Deus. A partir daí se torna testemunha de Jesus na família, entre os amigos, no ambiente de trabalho e para aqueles que dizem não ter fé. Quem conheceu Jesus, quem já experimentou sua força, quem já obteve algum milagre da sua infinita bondade não consegue ficar com a boca trancada: o Espírito Santo sempre o conduz a falar de Deus. Se ficar com os lábios fechados, falta-lhe alguma coisa, tudo está bom, mas nada fica pleno. Sempre falta algo. Nossa boca foi criada para falar de Deus que realiza tantas bênçãos a cada dia. EVANGELIZAR Evangelizar significa tornar próximo o evangelho das pessoas e as pessoas do evangelho. Nos evangelhos encontramos a “boa notícia” da nossa salvação. Quando Jesus é anunciado às pessoas descortina-se um mundo novo para quem recebe a palavra da nossa salvação: passa-se a experimentar o mundo de paz e justiça que o homem deve viver e que é o desejo de Deus. O evangelho “toca” o coração das pessoas, produz transformação, nasce uma nova criatura. MISSIONÁRIOS Os missionários são pessoas batizadas que, sentindo-se chamadas por Deus, não conseguem conter só para si aquilo que experimentam do amor de Deus. Descobrem lugares que ainda não ouviram falar e não experimentam sinais desta graça. São padres, religiosos, religiosas e leigos (fiéis) que não medem esforços e escolhem a vida precária para fazer chegar esta palavra a tantos irmãos sedentos do amor divino. O conforto do missionário é o coração ardente da chama de Deus de quem o recebe e escuta. SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE Não é possível conhecer Deus e viver no isolamento. O conhecimento de Deus gera solidariedade e fraternidade. Na nossa cidade existem muitos missionários nascidos em diversas religiões. São pessoas que trabalham, voluntariamente, em creches, hospitais, asilos. São pessoas (homens e mulheres) que reservam um tempo diário ou semanal para ser presença na vida de tantas pessoas sofridas, solitárias e às vezes deprimidas. Eu gosto de chamá-los de “anjos-da-guarda” e, na verdade, é isso que são. Independente do credo religioso, quem ouviu falar de Deus tem necessidade de ser solidário e gera fraternidade. PENSAMENTO “É dando que se recebe” (S. Francisco de Assis).

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