O deficitário quadro de delegados da Polícia Civil de Franca está ainda mais desfalcado desde o começo do ano. O delegado MMM, que realizava plantões em Franca, foi afastado do atendimento de ocorrências e encontra-se à disposição da Delegacia Seccional. O policial teve sua arma e munições recolhidas. Pesam contra ele denúncias de que estaria aceitando propinas para não prender traficantes.
MMM chegou a Franca há menos de um ano. Antes respondia por delegacia de outra cidade, e foi removido logo após o Carnaval, também, por causa de denúncias de comportamento incorreto. Entre as acusações, a de que estaria usando veículos do Estado para fins particulares.
Mesmo respondendo a procedimento interno e a inquérito policial na cidade onde trabalhou anteriormente, não demorou para o delegado se envolver em confusões em Franca. No fim do ano passado, a cúpula da Polícia Civil começou a receber denúncias, inclusive de companheiros de serviço, de que ele, motivado por problemas particulares e de saúde, estaria manipulando ocorrências e pedindo dinheiro para não realizar flagrantes durante seus plantões. O valor das supostas propinas exigidas seria irrisório. “Era algo do tipo: o que você tiver no bolso eu aceito. Se tem R$ 30, vai R$ 30”, revelou um policial civil graduado, que está acompanhando de perto a apuração do caso.
A situação do delegado se complicou de vez pouco antes do Natal, quando uma testemunha esteve na sede da Delegacia Seccional e deu um depoimento -gravado e filmado - de que ele teria recebido R$ 172 para não prender um homem acusado de tráfico.
O caso foi levado à Corregedoria da Polícia Civil, em Ribeirão Preto, e o delegado, afastado de seus funções. “A denúncia tem uma gravidade tal que recomenda que ele permaneça afastado do atendimento direto ao público. Como as apurações ainda se encontram em um momento muito delicado, seria inconveniente eu fornecer detalhes, pois poderia prejudicar as investigações”, comentou o seccional, Maury Segui.
Caso condenado, MMM ficará sujeito a penas disciplinares, como advertência, multa, suspensão e demissão. Até mesmo a hipótese de uma eventual prisão não é descartada. A reportagem ligou duas vezes para o delegado para ouvir suar versão, mas o número do celular que ele havia passado para a imprensa estava desligado. A informação é de que ele não estaria na cidade.
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