Bastaram dez anos e a abertura de uma usina em Patrocínio Paulista para a cana-de-açúcar arrematar quase a metade das terras da região, antes dedicadas quase que exclusivamente ao café. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a cultura canavieira ocupava em 1996 algo próximo de 29% das terras de oito cidades da região. Em 2006, este índice já era de 45,24%, com 71774 hectares utilizados para a produção do produto. O número de cidades da região que cultivam cana também cresceu: hoje, são dez.
Os dados mostram ainda que alguns municípios viram a participação da cana em suas lavouras aumentar mais de três vezes em uma década. É o que aconteceu na própria Patrocínio. A cidade, em 1996, tinha aproximadamente 1,8 mil hectares ocupados com plantações de cana, que representava 29,44% dos 9851 hectares de área plantada daquela cidade. Uma década depois e com o início das atividades da Cevasa (1999), o município tinha 68,01% de suas terras com cana-de-açúcar plantada. O número de hectares utilizados para a produção da matéria prima do etanol saltou para 6,7 mil em 2006, o que representa um aumento de 3,7 vezes.
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Se a cana já domina quando são levados em contas dados oficiais, a situação é ainda mais clara quando as estimativas de produtores são levadas em conta. O presidente do Sindicato Rural de Patrocínio Paulista e diretor da Faesp (Federação da Agricultura do Estado de São Paulo), Irineu Andrade Monteiro, acredita que o total seja bem maior. “É bem mais. Eu acredito que, em Patrocínio, a cana ocupe 13 mil hectares brincando”.
Independente dos números, no entanto, Irineu considera que a expansão da cana não quer dizer que a cidade esteja a caminho de uma monocultura. “A questão topográfica e o tamanho das propriedades afasta totalmente o perigo da monocultura na cidade.
Nós, inclusive, vamos fazer um trabalho de recuperação da bacia leiteira. Nós temos espaço para tudo. Temos café, leite e até laranja está chegando”.
Além de Patrocínio, Restinga também apresentou um crescimento vertiginoso da plantação de cana. Em 1996, 4 mil hectares eram utilizados para a plantação da matéria-prima do açúcar. Este número saltou para 11,8 mil hectares há dois anos.
Na outra ponta, Ibiraci e Rifaina viram o espaço destinado à cana encolher. A cidade mineira teve sua área plantada com cana de açúcar reduzida de 215 hectares de terra em 1996 para 100 hectares em 2006. Ribeirão Corrente e Claraval não tinham dados sobre a produção em 1996, sendo que em 2006 já contavam com 1100 e 18 hectares, respectivamente.
O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, João de Almeida Sampaio Filho, diz que o crescimento da cana de fato foi muito grande na região, mas aposta na estabilização. “Houve um crescimento na região de Franca. Em cinco anos, cresceu 55%. Mas, diferentemente do que muitos pensam, ela cresceu não em cima do café ou de laranjas. No caso da região de Franca, ela cresceu em cima das pastagens e da produção de grãos, que estão com os preços baixos. A expectativa para os próximos anos é de que haja uma estabilização no setor de cana. O que a cana tinha para crescer na região, fundamentalmente ela já cresceu”.
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