Aumento da cultura divide opiniões


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A expansão da cana-de-açúcar na região divide opiniões. De um lado, os defensores do setor, que alegam que o Brasil tem uma grande área agricultável ainda não explorada e que pode ser preenchida pela planta. Do outro, especialistas que dizem temer a monocultura na região. Um dos que observam com reservas o avanço sucroalcooleiro na região é o economista Hélio Braga Filho. Para ele, a ocupação da cultura canavieira deve ser observada com cuidado, já que ela pode - segundo ele - ameaçar a produção de outros gêneros alimentícios, como grãos e a pecuária, além de causar um grande problema social e ambiental. “A preocupação não é só ambiental, mas também econômica e social. À medida que a cana vai avançando para outras áreas, é importante questionar o seguinte: este avanço tem sido acompanhado do recuo de outras culturas?”, pergunta Hélio. Estes temas, assim como outros ligados ao setor, serão avaliados na série de matérias que se inicia hoje e será publicada aos domingos pelo Comércio da Franca. O problema social citado por Hélio seria o aumento do desemprego causado pela automação da produção, que deverá se expandir ainda mais com a proibição das queimadas de cana, que deve ser colocada em prática em 2017, de acordo com protocolo de intenções assinado pelo governador José Serra e a Unica (União da Agroindústria Canavieira de São Paulo). Especialistas apontam que a proibição acelerará a automação da colheita, gerando desemprego dos bóias-frias que hoje cortam a cana. Além disso, a expansão da cana afetaria outras culturas que empregam mais pessoas. Já em relação ao meio ambiente, por mais que o setor consiga acabar com as queimadas e diminuir o nível de CO2 lançado no meio ambiente, a monocultura, argumentam os contrários, tenderia a diminuir a qualidade das terras da região, provocando até mesmo seu esgotamento. Do outro lado, o agrônomo e produtor rural de Restinga Élbio Rodrigues Alves Filho considera que a cana não é uma ameaça. Élbio, que foi um dos primeiros produtores da região a aderir à cana há 15 anos, diz que o País é grande o suficiente para desenvolver o etanol e continuar com a produção de outras culturas. “O que tem de áreas para produzir grãos é muito grande. Tem espaço para todo mundo. Se você pegar o Centro-Oeste, o que tem de pastagem degradada, que pode colocar soja, milho, é uma coisa medonha”, afirmou. Sobre o empobrecimento do solo, Élbio cita a prática de rotação de cultura. “Em áreas nossas de renovação de cana, está plantada soja. A cada cinco anos, no meu caso, a gente planta a soja para fazer rotação de cultura”. Entre os atrativos para a adesão à cana, Élbio sinaliza a segurança econômica como a mais intensa. “ Acredito que tenha culturas que sejam mais rentáveis do que a cana, mas se você pensar em termo de segurança, de clima, nós acreditamos que a cana é mais rentável”.

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