Franca é mais uma cidade do País a registrar falta das vacinas contra febre amarela. A Secretaria Estadual de Saúde enviou ontem um lote com mil doses, que deve durar apenas até segunda-feira, 21. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não tem previsão de quando a situação se normalizará. A alta procura pela imunização, motivada pelos casos e até mortes registrados na região Centro-Oeste do Brasil e agora no Estado de São Paulo, zerou os estoques na cidade. Ribeirão Preto também está sem vacina. Até a tarde de ontem, o Ministério da Saúde havia confirmado 11 casos da doença, com sete mortes.
Em 2008, a Secretaria de Saúde de Franca aplicou oito mil vacinas até 18 de janeiro ou 444, em média, por dia. A vacina chegou a acabar entre quinta-feira e ontem. Foram consultados 19 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), PSFs (Núcleos do Programa Saúde da Família), Posto de Saúde do Centro e Vigilância Epidemiológica e a informação das atendentes foi a mesma: “A vacina acabou, está em falta na cidade inteira”. Para a tarde, estava prevista a chegada de um carregamento com 16 mil doses da vacina, mas só foram entregues mil. A reposição nos postos de vacinação foi feita, mas com restrições. “Dividimos entre os postos com uma média de 70 unidades para cada. É pouco. O estoque não deve durar muito e não tem previsão de ser normalizado. Pedimos que só se vacinem as pessoas que forem viajar para áreas de risco”, disse Alexandre Ferreira.
O Secretário de Saúde sugere que quem não for para as regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil e Sul de Minas espere entre 15 e 20 dias para ser imunizado, até que os postos de vacinação ganhem fôlego. “Se as pessoas não saírem de Franca não correm risco algum. Não temos circulação do vírus da febre amarela nem mosquitos responsáveis pela transmissão detectados, portanto podem aguardar”.
Os usuários não precisam comprovar a viagem, mas o secretário disse contar com a sinceridade e compreensão deles. “O Ministério da Saúde está racionando as vacinas e temos de seguir a essa redução. Em algumas cidades, as pessoas são obrigadas a apresentar a passagem comprada para comprovar a viagem para áreas de risco, mas não faremos isso. Acreditamos na população”, disse Alexandre.
BALANÇO
A auxiliar de escritório Dirce Guerra, 39, esteve ontem no Posto de Saúde do Centro para ser imunizada. Ela, como dezenas de pessoas, voltou para casa sem a proteção. “Vacinei há mais de 15 anos e queria me proteger. Não pretendo viajar, mas fiquei preocupada com tantos casos no País”. O Posto onde esteve foi o que registrou maior procura desde o início do ano. A unidade realizava quatro aplicações contra febre amarela por dia, passou a fazer 150 e ultrapassou as 400 diárias. Na quinta-feira, foram feitas 480 imunizações.
A vacina é oferecida gratuitamente pela rede pública de Saúde. A proteção deve ser feita com dez dias de antecedência e tem validade por dez anos. A febre amarela é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Os sintomas mais comuns da doença são febre alta, dores no corpo, dor de cabeça, diarréia e náuseas.
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