Feira foi a melhor dos últimos anos, diz empresariado


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Foto mostra estande coletivo de Franca na 35ª Couromoda. Evento rendeu produção de mais de 40 dias às empresas
Foto mostra estande coletivo de Franca na 35ª Couromoda. Evento rendeu produção de mais de 40 dias às empresas
A 35ª Couromoda, feira de calçados e acessórios encerrada na última quinta-feira, no Parque de Exposições Anhembi, em São Paulo, foi considerada pelos calçadistas uma das melhores dos últimos oito anos. A princípio, os dados oficiais divulgados pela organização do evento confirmam: em quatro dias 77 mil compradores visitaram os estandes. O número representa um aumento de 10% em comparação ao evento do ano passado. Entre os visitantes, ao menos 3 mil vieram do exterior, representando 65 países. A estimativa oficial de negócios fechados durante a feira e que deverão se concretizar nos próximos 60 dias é de R$ 6 bilhões. Apesar de entusiasmados com o resultado do evento, os calçadistas consideram ‘irreal’ o volume divulgado pela organização. Para se ter uma idéia, a produção das mais de 700 indústrias de Franca gerou, em 2006, um volume de negócios de aproximadamente R$ 578 milhões. O número tem por base dados do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), considerando o dólar a R$ 2,40 na época e o preço do calçado para o mercado interno a R$ 12 o par. Desta forma, o volume da feira seria o mesmo que comprar a produção anual da cidade por quase 12 anos. Embora não divulguem o volume de negócios nos quatro dias da Couromoda, os empresários de Franca ouvidos pelo Comércio na tarde de ontem afirmaram que a feira surpreendeu e garantiu a produção de, ao menos, 60 dias. Tétti Brigagão, gerente de marketing da Sândalo, disse que o evento “foi o melhor dos últimos oito anos”. A Sândalo, que lança seus produtos na feira desde a sua primeira edição, tem pedidos para 40 dias de produção. Outros empresários ouvidos confirmaram a boa fase do setor, e houve quem arriscou dizer que a feira foi a melhor dos últimos dez anos. A Calçados Francajel, que participa há 15 anos da Couromoda, saiu do evento com contratos que garantem de 45 a 60 dias de produção. Túlio Hajel, diretor de marketing da empresa, disse que a visitação ao estande foi grande e boa parte de quem entrou na loja comprou. “Tivemos uma ótima visitação e muitos contratos fechados”. Durante a feira a Francajel lançou sua nova coleção com 16 linhas de sapatos e mais de 150 modelos. Quem não expôs, mas passou pelos estandes, comprovou que o grande número de visitantes é a possibilidade de gerar bons negócios no primeiro semestre. O presidente do Sindicato dos Sapateiros, Paulo Afonso Ribeiro, é um deles. O sindicalista visitou o último dia da Couromoda e garante: os empresários estavam otimistas. “Você não via ninguém com cara amarrada, muito pelo contrário, todos estavam com muitas perspectivas”. Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca, concorda. “Não temos como dizer quanto em negócio foi feito, mas a avaliar pelos contatos, a feira foi muito boa tanto para o mercado interno, como para as exportações, e prometem bons negócios para o futuro sim”. Para o economista Luiz Carlos da Silva, os números do evento confirmam que os industriais estão se adaptando à política cambial e aproveitando o momento para investir também no mercado interno. “Foi uma boa notícia para o setor, sem dúvida. Pode significar o início de um bom ano”, disse.

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