Franca é uma cidade de motos. A cada duas horas, uma nova motocicleta ganha as ruas do município. Em 2007, foram emplacadas 5058 na Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) local contra pouco mais de 3,3 mil carros. É quase o dobro. Neste ano, o cenário não deve ser diferente, afinal há cinco anos consecutivos vende-se mais motos que automóveis em Franca.
Estatísticas da Ciretran mostram que a primeira vez que o número de motos emplacadas venceu o de carros foi em 1999. Depois, os veículos de quatro rodas voltaram a liderar a lista até que em 2003, a inversão se repetiu e não mudou mais.
Nos últimos 17 anos, o número de novas motos cresceu vertiginosamente. Em 1990, durante todo ano, a Ciretran colocou nas ruas 331 motos. Esse número é bem inferior ao volume de placas instaladas nas “motocas” em apenas um mês de 2007. Em novembro último, o líder do ano passado, 545 motos foram emplacadas em Franca.
O Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito) informou que a frota municipal é de 152569 veículos, sendo 40833 (26%) motocicletas. A média supera a de Bauru. A cidade de porte pouco acima ao de Franca tem mais veículos e menos motos. Em Bauru, existem 165407 veículos, sendo 36377 de duas rodas (ou 21%).
Com 200 motos vendidas a cada mês, a Hido Motos é uma das empresas que acompanham mais de perto o “inchaço” desse meio de transporte na terra do calçado. “As vendas cresceram sim. Hoje o trabalhador tem acesso ao produto. Nos pátios das fábricas via-se estacionamentos cheios de bicicletas e hoje estão preenchidos por motos”, disse o proprietário da Hido Motos, Hidomeneu Passos Filho.
No ramo há 21 anos, o empresário atribui o “boom” de vendas de motos à economia do veículo (chega a percorrer 45 quilômetros com um litro de combustível), praticidade e facilidades de pagamento. Juliano Goulart, gerente da Luana Motos, concorda. “As motos são de fácil manutenção, práticas e econômicas. O cliente pode comprar 100% financiado e pagar em 48 vezes com até 60 dias para dar entrada”.
A Luana Motos existe há 22 anos e hoje trabalha com a matriz e mais dois pontos de venda em Franca e Pedregulho. Inicialmente, foram contratados 12 funcionários e agora são 35. As vendas mensais atingem 200 unidades, bem acima dos primeiros anos. “Não vendíamos nem 20% da média negociada nos últimos anos”. O modelo mais procurado é a moto CG 150 Titan, que custa R$ 6.250.
A operadora de caixa Dene Cássia Silva, 23, é uma das clientes da Luana. Economizar foi o principal atrativo para que comprasse uma moto Honda Biz zero. Ela mora no Recanto Elimar e trabalha num posto na Vila Duque de Caxias e, para o transporte, adquiriu a motocicleta. O produto custava R$ 6,9 mil à vista, mas sem condições de quitar a dívida de uma vez, parcelou e pagará R$ 11.184. “Vou fazer em 48 de R$ 233. Ficará mais caro, mas eu precisava. Saio à meia-noite do serviço e não tem ônibus e voltar de mototáxi é caro demais”.
Dene Cássia vendeu a moto ano 99 que tinha e está na expectativa de economizar mais com a nova aquisição. “Minha moto antiga fazia 24 quilômetros por litro. Disseram que a Biz chega a 50. Vou experimentar”, disse ela, que gastava R$ 60 por mês com combustível.
ANÁLISE
O delegado da Ciretran, Marcelo Caleiro, classifica a expansão da frota de motocicletas como “inevitável” e cobra um trabalho mais efetivo de orientação aos condutores.
Conscientizar e convencer os motoristas a andarem dentro das regras é um dos trabalhos visados pela Prefeitura. “Moto é um veículo rápido. Quem pilota tem de ter cuidado, pois ela não oferece tanta segurança e o piloto precisa estar mais atento ainda à sinalização e circulação de outros carros, além de usar os equipamentos de segurança”, disse o secretário de Governo, Odair Tristão. O município planeja campanhas educativas e até implantação de disciplina de trânsito nas escolas.
Mais vagas de estacionamento devem ser criadas, como ocorreu em dezembro de 2007 no Centro com a criação de 80 lugares só para motos. A Guarda Municipal se encarrega da conscientização dos motoristas e a PM da aplicação de multas.
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