‘Ele dava apenas uns tapinhas nela’, diz mãe


| Tempo de leitura: 3 min
O adolescente de 17 anos, acusado de espancar a enteada de 1 ano e 9 meses, em Capetinga (MG), não batia apenas na criança. A companheira também era alvo de surras e já teria sido ameaçada de morte por ele. A revelação foi feita ao Comércio pela própria mãe da criança. Com medo de reações violentas da população, ela deixou a cidade e está na casa de parentes na zona leste de Franca. Recebeu a reportagem ontem à tarde e procurou negar, sem convicção, que o namorado tivesse agredido a filha. Admitiu apenas que ele dava uns “tapinhas”. Disse não querer saber mais do rapaz. Com apenas 24 anos, KCS, que trabalha na roça como lavradora, já tem quatro filhos, sendo três de pais diferentes. Saiba o que ela tem a dizer. Comércio - É verdade que seu marido espancava a criança? KCS - Nunca presenciei. Ele falava muito e gritava bastante com ela. Tapinha devagar na bunda, já vi. Ela era muito arteira. Assim mesmo, eu ficava brava e falava que ele não podia fazer aquilo. Quando minha filha aparecia com algum machucado, ele dizia que ela havia caído. Comércio - Você sempre acreditava nesta história? KCS - Não faz tempo que isto começou a acontecer. Foi de uns tempos para cá. Até cheguei a levar ela no médico, mas comprovaram que não tinha nada. Minha mãe começou a desconfiar e falou para eu prestar atenção nele. Fiquei de olho e não deixei ele sozinho mais com minha filha. Comércio - Acredita que ele estivesse batendo na sua filha? KCS - Agora, pelos fatos que estão acontecendo, eu acredito. Comércio - Segundo o médico que atendeu a sua filha, ela já estava com o braço quebrado havia dois dias. Por que não a levou antes ao hospital? KCS - Em dezembro, ela caiu da motoquinha e machucou o braço. Pensei que fosse a mesma coisa. Eu iria passar pelo médico em Franca. Não sabia que ele tinha feito isto com ela como estão falando. Comércio - Como explica as lesões na orelha e as queimaduras? KCS - Vi uma feridinha na orelha dela, mas nunca imaginei que fosse uma mordida. Agora, do cigarro no corpinho dela, tinha umas manchinhas, mas eu nem pensei que fosse queimadura, pois não fez bolha, não fez nada. Por isto, que não fui atrás (de médico). Também, nem deu tempo. Eu iria trazer ela em Franca, porque lá (em Capetinga) não tem recurso. Tudo que é mais grave, tem que ir para fora. Achei melhor deixar para trazer ela em Franca. Comércio - Seu companheiro brigava com você? KCS - Brigava bastante e me batia. Uma vez, sentou uma faca em mim. tentou me matar. Tenho as marcas até hoje. Comércio - Por que nunca o denunciou à polícia? KCS - Eu tinha medo dele fazer alguma coisa com meus filhos e minha mãe. Ele falou que nunca ficaria preso para sempre e que se vingaria. Comércio - Pretende voltar para Capetinga? KCS - Não tenho medo de voltar, pois não devo. Pelos meus filhos, faço tudo. Se for preciso ir lá para ver eles e morrer, eu morro. Comércio - Sua filha pode perder os movimentos do braço... KCS - Não como, nem durmo de tão preocupada que estou (começa a chorar). Comércio - Você acha que foi uma boa mãe? KCS - Não, não fui, não. Agora, vejo que não fui, pois não enxerguei o que estava acontecendo na minha volta.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários