Política é mesmo uma caixinha de surpresas. Quando você menos espera alguém dá uma nota fora e pronto, está na mídia sem perdão. Veja você o caso do caixa dois revelado por José Dirceu recentemente. O cara estava mais sumido que chapéu velho em dia de quermesse e de repente virou capa de jornal no País inteiro.
Política é assim, pelo menos aqui no Brasil. Na semana em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que seria melhor que o Alckmin fosse candidato ao governo do Estado deixando livre o caminho para Serra, o nosso presidente foi a Cuba e lá disse que é “apaixonado pela revolução cubana”. Quem diria? Foi uma surpresa sem precedentes.
Eu confesso que fiquei estarrecido com a notícia. Jurava que nosso guia era fã da queda do muro de Berlim, mas, ledo engano. Lula é apaixonado pela revolução cubana!
Meu Deus, que coisa impressionante. Logo ele, Lula, o símbolo máximo da democracia latino-americana. Não é possível! O senhor metamorfose, homem de posições voláteis ainda não conseguiu esquecer o primeiro amor. Na ilha da liberdade perdida Lula confidenciou a jornalistas seu amor pela insurgência liderada por Fidel. Depois de um suspense sem precedente, Lula reuniu-se com Fidel por duas horas e meia, e segundo informou depois, Fidel ocupou cento e vinte minutos do tempo falando e apenas trinta ouvindo. Isso é que é liberdade de expressão, o resto é conversa fiada.
Por falar em conversa fiada, do que teriam tratado Lula e Fidel? Teriam discutido a questão das FARC? Teriam estudado o processo de democratização da ilha? Teriam eles falado sobre Chávez? Sim! Chávez! Porque não? Afinal de contas são amigos. Mui amigos!
Lula disse também que não quer pirotecnia sobre as questões internas de Cuba, leia-se liberdade de imprensa, democratização, etc. e tal. Disse que questões internas de cada país dizem respeito única e exclusivamente a seus governantes e que toda vez que alguém diz alguma coisa acaba enfiando os pés pelas mãos.
Concordo em gênero, número e grau.
As questões internas de Cuba não interessam a ninguém, nem a mim, nem a ninguém que não seja cubano. Sobre isso estamos conversados. Agora, sobre essa tal paixão pela revolução cubana, permita-me, senhor presidente, dar um pitaco. Há na cultura popular uma infinidade de ensinamentos que são sempre muito interessantes de se ouvir e analisar, então fica aqui uma dica depois dessas duas horas ouvindo Fidel: “Cuidado! Galinha que anda com joão-de-barro acaba virando ajudante de pedreiro”.
ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca
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