Pés-frios do futebol


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Para alguns a sorte e o azar não existem. Tudo depende do trabalho. Mas o que dizer de clubes como o Botafogo-RJ, Feyenoord (Holanda), Schalke 04 (Alemanha) e PSG (França). E a Francana. Talvez pensando nisto, uma revista argentina, a El Gráfico, elegeu e publicou a relação dos 13 clubes mais azarados do mundo. Os citados acima estão entre eles, em companhia de outros que primam pela capacidade de chamar a atenção pelo que acontece de errado em seu dia-a-dia. No ranking dos times sem sorte está o Torino, que venceu torneios consecutivos na Itália. Ao tentar estender seu domínio à Europa, o avião em que estavam atletas e comissão técnica caiu. Todos morreram. O time nunca se reergueu. O azarado brasileiro vem do Rio. Sobre o Botafogo, a revista fez questão de dizer que ele foi a base da seleção brasileira. Craques como Garrincha, Nilton Santos, Didi, Zagallo e Jairzinho o levou a ser incluído pela Fifa no 12º lugar na lista dos maiores do século passado. No entanto, fora de campo, o Botafogo sucumbiu às dívidas até perder seu estádio por falta de pagamento de uma delas. O texto afirma que quando o recuperou, a sede havia sido demolida. A bruxa chegou ao campo e o time ficou 21 anos em jejum no Rio. A Francana bem que poderia fazer parte desta relação. A seqüência de fatos incrédulos marca a história recente do clube que tem uma Feiticeira como mascote. Com 95 anos de história, o clube tem em seu rol poucas conquistas. A última foi em 1996, quando ascendeu da Série A-3 do Paulista para a A-2. Em 2002, com um elenco modesto, mas entrosado, chegou à final da Série A-2. Mais que o título, o objetivo era a única vaga em disputa para a Série A-1. No primeiro jogo, em casa, vitória de 2 a 0 sobre o Marília. No segundo jogo o inacreditável aconteceu e a Francana foi goleada por 3 a 0. No rebolo, valendo uma vaga na elite do Estado, nova derrota. Desta vez nos pênaltis, em Santos, para a Portuguesa Santista. Os exemplos não param aí. Em 1982, após cinco temporadas jogando com os grandes, o clube foi rebaixado. No Conselho Arbitral do ano seguinte, uma decisão que beneficiaria a Francana foi anunciada: o clube não cairia porque o Clube Atlético Taquaritinga não tinha um estádio com a capacidade mínima exigida pelo regulamento. Só que a cidade construiu o "Taquarão", com capacidade para 21500 pessoas na correria. À Francana restou lutar na Justiça por uma vaga. Tudo foi em vão.

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