Apesar de jovem, CHS tem histórico de violência e já foi detido outras vezes acusado de envolvimento com drogas. Apreendido na noite de sexta-feira, ficou poucas horas nas mãos da Polícia. “Entramos em contato com o delegado de plantão e ele nos orientou que o menor fosse liberado para seus responsáveis”, contou o cabo Esteves.
De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Militar, após contato com o promotor, o delegado plantonista decidiu pela liberação do acusado a um responsável, “uma vez que a população estava indignada e tentava localizá-lo com a finalidade de agredi-lo”. Capetinga não tem delegado titular. No dia dos fatos, o delegado Fábio Ribeiro Ferreira Faria, de Ibiraci, estava de plantão e respondia pela cidade. Ele foi procurado pela reportagem na tarde de ontem, mas não foi encontrado na delegacia e não retornou às ligações. Um agente informou que o menor não ficou preso, pois estava fora do flagrante.
A população ficou revoltada ao vê-lo passeando livremente nas ruas e decidiu fazer justiça com as próprias mãos. Às 22h30 de segunda-feira, CHS caiu em uma cilada e quase morreu. “Ficamos revoltados mesmo. Passei na casa do pai dele com uma amiga e convidei para dar uma volta em uma ‘quebrada’. Disse que queríamos ficar com ele. Os caras já estavam esperando e deram um pau nele. Por mim, eu matava ele. A sorte dele é que a Polícia chegou”, contou uma dona de casa de 19 anos. Ela disse que 37 pessoas se envolveram na tentativa de linchamento. No bairro, não é difícil encontrar alguém que tenha participado. Falam com orgulho do que fizeram e dizem que estão dispostos a bater novamente caso o encontrem.
Após levar chutes e pontapés, CHS conseguiu correr e se escondeu na casa do pai. Com camisetas amarradas na cabeça e empunhando pedaços de pau e pedras, o bando tentou invadir e danificou a casa. “A coisa foi feia mesmo. Um moleque estava com um canivete e disse que era para furar a barriga dele. Para protegê-lo, meu marido e meu genro se armaram com uma foice e um porrete. Mesmo assim, quebraram a porta e a janela. O telhado ficou como uma peneira”, contou a aposentada CAS, avó do acusado. Na tentativa de defender o filho, LCB levou uma pedrada que fraturou seu maxilar. Com medo de novas reações violentas, ele deixou a cidade com CHS. Suspeita-se que eles vieram para Franca. Pelo mesmo motivo, a mãe da criança espancada também está escondida na zona rural do município.
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