Organizar a mesa do chefe, agendar um horário na academia antes dele chegar ao trabalho, encomendar o almoço com o cardápio que ele gosta, pagar as contas da empresa, marcar entrevistas, atender todos os telefonemas e clientes, comprar passagem para a viagem de negócios... Ufa! A vida de uma secretária não é nada fácil.
Em Franca, não há uma associação que controle o número exato de pessoas que trabalham nessa área, mas encontrar uma secretária não é difícil. Elas estão nas escolas, nos consultórios médicos, empresas de grande e pequeno porte e escritórios em geral. E se você pensa que elas são todas iguais, está totalmente enganado.
Existem pelo menos três níveis de profissionais: as iniciantes (recepcionistas), as técnicas e as executivas.
Na cidade, existem cerca de cinco locais que oferecem cursos de secretariado em turmas e até em aulas vips que, em uma semana, você sai com o certificado nacional. O preço médio para esse curso é de R$ 200. Mas se a grana estiver curta, a Escola Técnica Estadual “Doutor Júlio Cardoso”, a Industrial, abrirá vagas gratuitas no segundo semestre deste ano. O curso terá duração de um ano e meio.
Por ser uma área que atua diretamente com pessoas, quem gosta e quer subir na profissão deve ter no currículo cursos de outras línguas, de preferência inglês e espanhol, ter “memória de elefante” para guardar telefones e até fisionomia de todos os clientes da empresa que for trabalhar, estar sempre de bom humor e com boa aparência e, o básico: gostar do que faz.
Mesmo com essas cobranças, há muito interesse pela profissão, principalmente entre as jovens que nunca trabalharam. Foi o caso de Priscila Maria de Freitas, 19, que trabalha em um escritório de advocacia há dois anos. “Procurei essa área porque não tinha experiência em nada e achei que conseguiria dar conta. No início senti algumas dificuldades por causa da correria, mas não achei difícil. Depende muito da pessoa”, disse.
Priscila trabalha das 12 às 18 horas e atende até 360 ligações por dia. “Tem que ser esperta. Aqui trabalham seis advogados e quando chega muita gente para ser atendida, tenho que prestar bastante atenção para saber qual chegou primeiro. Quando me perco, pergunto qual é o próximo, e pronto”. Outro problema que a jovem enfrenta é quando sente sede e o telefone não pára de tocar. “Tenho que tirar ele do gancho”, disse, entre risos. Ela ganha cerca de R$ 410 por mês.
Priscila gosta do que faz, mas não tem o sonho de seguir a fundo a carreira. Diferente da secretária-executiva Regina Célia de Mello, 43, que escolheu essa profissão para sua vida. Há 24 anos, ela trabalha diretamente com o presidente da Francal Feiras, Abdala Jamil Abdala e, para conquistar o cargo, confessa que foi necessário muita dedicação e participação em cursos e palestras voltados para sua área. “Atitude é tudo”.
A rotina da secretária-executiva é bem mais puxada. “Seleciono, coleto e preparo dados para facilitar o processo e apresentações da empresa, gerencio a rotina administrativa e os processos de trabalho decorrentes, organizo cerimoniais de abertura de eventos, entre outras coisas”, disse. Regina fez cursos de secretária-executiva bilíngüe na faculdade Anhembi e trabalha, no mínimo, 9 horas por dia.
Mas o salário de uma profissional desta área é bem interessante. Em uma empresa de grande porte, por exemplo, o valor atinge até R$ 7 mil por mês no Estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo, uma secretária-executiva trilíngüe ganha um pouco menos: cerca de R$ 3,5 mil.
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