Apesar das reclamações do setor calçadista, Franca fechou o ano de 2007 com uma queda de apenas 1,63% no total de exportações em dólar. Além disso, viu suas vendas para a América Latina aumentarem em quase 50%. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a cidade exportou US$ 227,16 milhões em 2007 contra US$ 230,93 no ano anterior. O valor das exportações do último ano só é mais baixo do que o registrado em 2005 e 2006.
Nos números, nenhuma grande novidade com relação à pauta de exportação. Os sapatos, responsáveis por 56,31% do total, continuam dando as cartas (veja mais em texto e quadro nesta página), mas, se os números relativos às vendas universais não apresentaram altas variações, os destinos dos produtos mudaram consideravelmente. A primeira constatação é a de que nossos vizinhos estão mais interessados.
A participação da América Latina nas vendas francanas, por exemplo, cresceu 46%. Em 2007, as vendas para os países do subcontinente somaram US$ 45,61 milhões. Em 2006, foram US$ 31,23 milhões. Os maiores responsáveis pelo crescimento da participação dos latinos na pauta francana são Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru e Venezuela, que, juntos, compraram 51,42% a mais de produtos francanos do que em 2006. Aos países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai) coube um aumento de 33,93%.
O presidente do Sindifranca (Sindicato das Indústrias Calçadistas de Franca), Jorge Félix Donadelli, ressalta que não é apenas a Venezuela o único país da região a comprar mais. “Quem está comprando bem são nossos vizinhos aqui da América do Sul”.
Na análise isolada dos países, o maior aumento ficou por conta de Taiwan, com 195,71%. Apesar do crescimento, a ilha independente politicamente da China só representa 0,75% das exportações da cidade. Atrás de Taiwan aparece a Venezuela, que tenta entrar no Mercosul. As vendas ao país de Hugo Chávez representaram aumento de 136%, seguido do México (92,75%) e da China (83,37%). Com isso, a Venezuela passou de 8º maior importador de produtos francanos em 2006 para 3º em 2007, ultrapassando países tradicionais da pauta de exportação francana como Japão, Alemanha, Espanha e Argentina.
A Opananken é uma das empresas que têm participado do mercado Venezuelano, como explica o diretor da empresa, Geraldo Ribeiro Filho. “Os venezuelamos estão com dinheiro. E eles não procuram sapatos baratos, procuram qualidade”.
Embora continue líder, os Estados Unidos, no entanto, viram sua participação cair consideravelmente. As vendas para o “Tio Sam” passaram de US$ 83,82 milhões em 2006 para 57,84 milhões no ano que se encerrou. A maior queda foi nas vendas para os Países Baixos (-73,26), em seguida para África do Sul (43,70%) e Suécia (37,71%).
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