Os vereadores Marcelo Mambrini (PMN) e Nirley de Souza (DEM) ganharam um prazo extra para apresentar suas defesas ao Conselho de Ética da Câmara de Franca. A princípio, as justificativas deveriam ser feitas, por escrito ou oralmente, até amanhã. Como surgiram novidades no processo, o prazo foi dilatado até a próxima terça-feira, dia 22.
Os dois respondem a processo interno por quebra de decoro parlamentar. As denúncias feitas pelo Ministério Público contra Mambrini e Nirley são semelhantes. Os vereadores são acusados de forçar suas ex-assessoras a dividir, com eles ou parentes, seus ordenados. Agora, ambos correm o risco de ter seus mandatos cassados.
O presidente do Conselho de Ética, Valter Gomes (PSB), disse que a extensão do prazo se deu para compensar a apresentação de duas novas testemunhas na investigação contra Nirley. “Diante destes fatos novos, decidimos estender o prazo de defesa dos vereadores até o dia 22”, afirmou.
De acordo com Gomes, o andamento do processo não será alterado. Apesar de o prazo para conclusão ser primeiro de fevereiro, o objetivo do conselho é encerrar o caso e apresentar uma indicação ao plenário até o fim da semana que vem. “No dia 22 nós matamos isso daí. Será rápido. Sumário. É um processo sumário, ou acatamos a representação ou não”, disse.
Os vereadores Mambrini e Nirley foram procurados na tarde de ontem, por meio de seus telefones de gabinete e celulares, para repercutir o assunto, mas não atenderam às ligações.
O CASO
Mambrini é quem tem contra si provas mais contundentes. Sua ex-assessora, Lara Cristina Rodrigues, disse em depoimento no Ministério Público que foi obrigada, entre março de 2006 e setembro do ano passado, a repassar metade de seu salário líqüido ao vereador, o que significava R$ 800 mensais. No total, Mambrini teria ficado com mais de R$ 10 mil.
Cansada da divisão, Lara teria se rebelado e dito que não daria mais dinheiro ao vereador. Foi demitida pouco tempo depois. Mas, antes de deixar o cargo, tomou o cuidado de filmar o que seria uma das partilhas. O vídeo, apresentado ao MP, foi considerado prova fundamental no inquérito. “A assessora apresentou uma gravação ambiental que comprovou seu depoimento”, disse o promotor de Justiça Paulo Borges.
Já Nirley, de acordo com a denúncia do MP, não ficou com dinheiro para si, mas forçou a ex-assessora, Marcia Helena Pessoni, a comprar um veículo Gol, ano 90, em seu nome e pagar as prestações do financiamento, de R$ 300 mensais. O carro seria para o irmão do vereador, Carlinhos. Além de Marcia, outras duas testemunhas prestaram depoimentos que comprometem Nirley.
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