Novas testemunhas depõem e comprometem Nirley de Souza


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Gabinete do vereador Marcelo Mambrini (PNN), na tarde de ontem, com a porta fechada: de acordo com denúncia do Ministério Público, local era palco das divisões de salário entre a ex-assessora e o policial militar reforma
Gabinete do vereador Marcelo Mambrini (PNN), na tarde de ontem, com a porta fechada: de acordo com denúncia do Ministério Público, local era palco das divisões de salário entre a ex-assessora e o policial militar reforma
Os depoimentos de duas novas testemunhas no Ministério Público comprometem o vereador Nirley de Souza (DEM). Elas reforçaram as acusações da ex-assessora Márcia Pessoni, que afirma ter sido obrigada a financiar em seu nome e pagar as prestações (R$ 300 mensais) de um veículo Gol para o irmão de Nirley, Carlos de Souza, o “Carlinhos”. O parlamentar nega a prática, mas, ainda assim, tornou-se alvo de investigação do Conselho de Ética da Câmara sob suspeita de quebra de decoro parlamentar e pode ter até seu mandato cassado. Márcia prestou depoimento no MP em 12 de dezembro e denunciou a divisão. Na ocasião, disse que foi demitida em 27 de março de 2006 por Nirley após se negar a pagar o “pedágio”. O vereador negou as acusações. Diante da história confusa, o promotor Paulo Borges a convocou novamente para depor no dia 8 último. O Comércio teve acesso ao conteúdo do inquérito e constatou que Márcia manteve a denúncia e indicou outra testemunha, a organizadora de eventos Elisângela Aparecida dos Santos, ex-funcionária de Carlinhos na extinta revista Mulher Dinâmica, que poderia confirmar que o Gol pertencia ao irmão de Nirley. Elisângela confirmou a versão de Marcia e acrescentou detalhes novos ao caso. Afirmou que Carlinhos chegou a guardar o veículo em sua casa por mais de um mês e que, posteriormente, ela própria intermediou a venda do Gol a um amigo, o auxiliar de serviços gerais Anderson Fernandes Rosa. Carlinhos, de acordo com ela, precisava de dinheiro para quitar dívidas da revista com uma gráfica. Anderson não confirma, mas também não nega, ter comprado o carro de Carlinhos. Márcia disse também que o carro que Carlinhos utiliza atualmente, um Golf preto, .não está em seu nome, mas no da atual assessora de Nirley, Isabel Aparecida de Almeida, que poderá ser ouvida pelo MP nos próximos dias. Por fim, Elisângela disse ao promotor que o feirante Júnior Fernando Gomes, o “Juninho”, que trabalhou como motorista na revista de Carlinhos, poderia confirmar suas declarações. Ouvido, o rapaz afirmou que viu o Gol estacionado na garagem da casa de Elisângela em pelo menos três diferentes ocasiões. SINUCA DE BICO A situação de outro vereador ameaçado de cassação por suposta divisão de salários, Marcelo Mambrini (PMN), também piorou: sua ex-assessora Lara Rodrigues apresentou documentos que complicam a vida do PM reformado. Para integrantes do Conselho de Ética, que teve acesso na semana passada aos depoimentos de Elisângela e Juninho, a situação de Nirley complicou-se. Dois dos três membros disseram que a cassação deve ser a opção mais plausível para o caso. “Antes era a palavra dele contra a da assessora. Agora, há mais duas pessoas convergindo para o lado dela. Uma indicação para cassação ganha força”, disse um deles. Nirley não foi encontrado ontem, nos períodos da tarde e noite, para dar sua versão sobre as declarações das novas testemunhas e a atuação do Conselho de Ética. Ele terá até o dia 22 para apresentar sua defesa, que poderá ser feita por escrito ou pessoalmente.

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