Façam suas apostas


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À mesa, senhores. As cartas já foram dadas. É hora de saber como será, na prática, o jogo. E o primeiro lance está a ser consumado nesta semana, em São Paulo, durante a Couromoda. A feira promete servir como termômetro para o setor calçadista. Bons pedidos podem significar um começo de ano mais interessante. E será aí que saberemos quais ases e coringas os sapateiros de Franca seguram nas mãos para os próximos meses. O ano, aliás, que parece ter começado bem para os industriais dos demais pólos calçadistas de São Paulo. Nesse sentido, é preciso dizer que Franca sai atrás. Em Jaú, por exemplo, as fábricas não interromperam a produção em janeiro - tradicional mês de férias e paradeira para o setor - o que indica que os pedidos acontecem em bom volume. Em Birigüi acontece fato semelhante, o que tem levado centenas de sapateiros francanos, especialmente os donos de pequenas bancas de pesponto, a buscar trabalho naquelas cidades. Ainda não é uma tendência, mas é um fato que não pode ser desconsiderado. Feito o parêntese, é importante e interessante analisar um pouco mais a Couromoda, que pode indicar, mais do que aparenta, a nova realidade do setor e as tendências do mercado para o produto francano. As promessas da organização do evento são intensas. Prometem cem produtoras de calçados e acessórios em couro expondo suas coleções. Anuncia a assessoria de imprensa que serão mais de 3 mil marcas em exposição e 70 mil lojistas para consumo. Não foram divulgados dados, ainda, sobre a composição dos compradores, mas a organização anuncia que virão representantes de 60 países. É aí que está o ponto a ser analisado, já que Franca é conhecida por seu produto de maior valor agregado e com o selo de exportação impresso nos solados. Na teoria, os dados anunciam que podem ocorrer boas vendas para o mercado interno. Na prática, não será assim que o barco vai tocar. O que falaremos nesta coluna é suposição, como deve ficar claro, já que a feira mal começou. Ainda assim, cabe ressaltar que foram consultados dois especialistas em calçados e cinco industriais locais. Todos foram unânimes em dizer: não acreditam que o movimento de exportação seja grande. Ao contrário, acreditam que o mercado internacional deve ficar em segundo plano e que o grosso das vendas, na quantidade, ficará em terras tupiniquins. Vale uma reflexão sobre o tema. Só virão ao Brasil importadores de médias e pequenas redes. As grandes, especialmente as européias, preferem comprar calçados italianos, os melhores do mundo. Assim, as menores, em busca de produtos diferenciados e mais baratos, mas ainda com e pecha de internacionais, são as que se arriscam a buscar negócios em feiras brasileiras. Fecham compras, evidente, mas em volume bem menor. A informação e a análise, compartilhadas com o colunista pelo jornalista Luiz Neto, que promoveu feiras calçadistas com a Francal por mais de uma década, foram confirmadas pelas sete fontes ouvidas. “Bingo, na mosca”, chegou a dizer uma delas. O cenário descrito, porém, não é de crise. Pode ser de consolidação da mudança, apostando em vendas menores na quantidade e maiores no preço. Significa, também, que o mercado interno deve passar a ser alvo preferencial dos industriais de Franca. Existe mercado, e ele pode ser preenchido pelo produto local. Mais considerações na próxima coluna, já com os números da Couromoda em mãos. PREFEITURA Contrariando as insistentes choramingadas do setor calçadista, a Prefeitura de Franca mostra que está, sim, interessada no setor calçadista. A administração municipal tem um estande na Couromoda e o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) deve fazer contatos no local com especialistas de todo o País. Ele sabe que o calçado é - e será ainda por muitos anos - a principal razão da economia local. PISADA DE BOLA Ainda que a época justifique a falta de notícias, é uma pisada na bola que não deveria acontecer. Não há nada, por exemplo, sobre a participação dos francanos na Couromoda, feira que marca o início dos trabalhos anuais do setor. PARADEIRA Afora a Couromoda, o setor parece em banho-maria, aqui. Até o site do Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) está desatualizado. A última notícia postada data de 19 de dezembro. SEGUNDO Dados referentes ao ano de 2006 confirmam: Franca é, hoje, o segundo maior pólo exportador de calçados do Brasil. Naquele ano, foram exportados pouco mais de US$ 100 milhões. O campeão é o Rio Grande do Sul, com quase US$ 500 milhões em exportação. ESTRELAS Se em Franca o investimento em marketing e propaganda dos calçadistas chega perto do zero absoluto, pelo Brasil abundam contratos de celebridades com empresas de calçados. Carolina Ferraz, Daniela Cicarelli, Luciana Gimenez e Carolina Ribeiro, entre outros, anunciaram, nos últimos meses, contratos para representar indústrias do setor. Isso para não falar na top Gisele Bündchen, que empresta seu charme e sensualidade há anos para as sandálias Ipanema. FÉRIAS Este colunista esteve em férias em Ilha Comprida e observou que a fama da terra do calçado continua. Não foram poucos os pedidos de pessoas que, ao saberem onde este escriba exercia seus dotes, pediam sapatos como presente. Prova que a cidade continua reco-nhecida como terra do calçado masculino. Faz tempo que as indústrias locais não capitalizam sobre isso. Deveriam.

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