O xingamento me elevou


| Tempo de leitura: 2 min
Surgiu do interior do modesto “fusqueta”, a arrogância grosseira, inculta e desrespeitosa de um ser que - pelo visual - parecia humano e, pelos gestos, raiva, altos brados com falta de urbanidade, indicava percepção diferente. Neste momento em que o País preocupado e, esta folha consumindo espaço e tinta na pregação contra a violência no trânsito, alto índice do crescimento em número de vitimas nas estatísticas do dia-a-dia, não poderia o velho jornalista calar-se. A pressa da maioria dos maus motoristas nas ruas da cidade, é sempre maior que a educação desejada nas pessoas. A preferência do pedestre nas faixas de segurança ignora-se, suscitando gestos obscenos e palavrões capazes de fazer enrubescer o mais reles dos calhordas, somente igualáveis aos motoristas vezeiros da inqualificável prática. Como será possível encontrar o caminho para conter o despautério assassino? Entendemos que em curto prazo - ao primário - suspensão da carteira determinada pelo Judiciário aliado à sentença de freqüência a curso especializado de direção segura e consciente, com duração mínima de seis meses. O custo do curso será cobrado do infrator mensalmente, acrescido de multa de 30% do salário mínimo e repassado pela escola responsável ao Estado. Ao final, o curso fornecerá certificado de regularidade de freqüência, aprovação e comprovantes dos respectivos recolhimentos em favor do Estado. Sem a apresentação dos referidos documentos, não será facultado ao sentenciado, novo exame e restabelecimento de sua habilitação. Ao reincidente cassação da habilitação em caráter irrecorrível. Em longo prazo: é atribuição do governo suprir com boa educação suas populações. Neste caso cabe ao governo criar desde o ensino básico e médio, o curso de direção segura e consciente, incluindo na grade ética e cidadania que formate comportamento mais adequado em breve futuro. Alisar não corrige e afago não educa. É preciso coragem e ação mais forte, especialmente onde se vê grassar a impunidade com flagrante desrespeito à pessoa e à ética. Anote em sua memória meu querido alarve, ninguém pode comprar a rua, ela pertence aos homens e mulheres, educados ou não, às cadelas e cães que usam democraticamente seus postes, às crianças que brincam, aos idosos com dificuldade para atravessá-la, ao sol e à lua iluminando nossos dias e noites, aos alunos das escolas nas paradas de Sete de Setembro, às escolas de samba no Carnaval, aos mendigos dormindo seu frio sob marquises, à feira livre. Ela, a rua, também me pertence para permitir a travessia difícil de um casal idoso, deixar que um veículo à minha frente estacione com tranqüilidade, esperar que o menino alcance sua bola correndo adiante. Lamentavelmente, a rua pertence também a brutamontes que matam, mutilam pessoas, agridem leis, sem qualquer sentimento de comiseração. Do nosso encontro na rua guardo boa recordação. Seu xingamento conseguiu ecoar como afago ao ego, incluindo-me no grupo que por graça de Deus ainda é maior. Entendi como elogio e continuarei entre os muitos que apóiam o deficiente visual ao atravessar a nossa rua. Minha pressa sempre dará lugar à minha educação. GARCIA NETO é jornalista

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários