De cada dez cédulas de identidade requisitadas em Franca, quatro não são retiradas e ficam a acumular pó nas prateleiras da secção de identificação da Delegacia Seccional de Polícia. Por ano, cerca de 5 mil documentos dos 13 mil solicitados são deixados para trás pelos donos. As que ficam esquecidas por mais de um ano se transformam em cinzas.
Para o papiloscopista Antônio Batuira de Souza, um dos motivos para o acúmulo de RGs é o uso cada vez mais freqüente da carteira de habilitação como documento de identificação. “Como a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) tem foto, as pessoas substituem um pelo outro. Com isso, esquecem-se de retirar o documento, que se acumula na delegacia”. Outra explicação apontada por Souza é a validação do protocolo do RG como documento oficial, usado principalmente nas matrículas das escolas. “As mães vêm aqui retiram o protocolo e conseguem matricular seus filhos. Depois do problema resolvido, elas nem se lembram de vir buscar o RG”.
A sapateira Sueli Helena Anacleto, 41, disse que, no seu caso, foi diferente. Ela alega que a falta de tempo foi a principal responsável pelo atraso na retirada do RG de sua filha, solicitado em junho de 2007 e buscado ontem, sete meses depois. “Com a correria do dia-a-dia, não tive tempo para buscar.
Moro longe, trabalho o dia todo, minha filha estuda, é difícil conseguir vir até aqui. Agora, aproveitei minhas férias”.
O montante de documentos gera problemas à unidade. Sem nenhuma utilidade para o órgão, apenas ocupa espaço. “Isso sem contar o tempo que a gente perde para atender estas pessoas. Estamos apenas em cinco funcionários para uma demanda de 100 protocolos por dia, fora os pedidos de atestado de antecedentes criminais”.
Para conter o acúmulo, a polícia devolve os mais antigos para o Instituto de Identificação, onde são incinerados após um ano. O prazo aplicado em Franca é maior que os seis meses que a lei determina. “A gente espera porque tem medo da pessoa aparecer e depois ter que fazer tudo de novo”.
Nos últimos dois anos, foram queimados 167 documentos. Nesse caso, a única saída para os “esquecidos” é solicitar a segunda via do registro. Para isso, é necessário desembolsar R$ 22,32 e esperar mais 90 dias, prazo mínimo exigido pelo órgão para a entrega do RG.
SERVIÇOS
O horário de atendimento da delegacia é de segunda-feira a sexta-feira das 8 às 16 horas.
O requerente deve retirá-lo apresentando o protocolo. Parentes consangüíneos também podem fazer a retirada, mas para isso precisam apresentar, além do protocolo, um documento de identificação que comprove o parentesco.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.