Após dez dias sumido no centro das atenções em que permaneceu sem conceder entrevistas, o vereador Marcelo Mambrini falou ao Comércio nesta semana. Confira os principais trechos da entrevista:
Comércio da Franca - Como o senhor pretende se defender das acusações de sua assessora?
Marcelo Mambrini - Foram encontrados vários pontos de contradição, tantos nos depoimentos das pessoas quanto na filmagem. Não diz a origem nem o destino do dinheiro que ela estava me entregando.
Comércio - Qual a origem do dinheiro, então? Por que ela o entregou?
Mambrini - Foi um empréstimo que fiz a ela. Cansei de ajudar essa moça. Ela estava passando por problemas financeiros e eu emprestei o dinheiro. Agora, não sei por que ela está fazendo isso, mas tenho certeza que tem mais gente envolvida nisso. Ela está sendo apenas um instrumento.
Comércio - O senhor diz que emprestou dinheiro, mas fez algum registro, exigiu algum recibo?
Mambrini - Mas é o que estou te dizendo. Tudo foi feito na base da confiança. Quando eu poderia imaginar que essa moça faria isso? Não tenho nenhum comprovante.
Comércio - Vereador, qual o seu salário líquido na Câmara?
Mambrini - Líquido chega a R$ 3.450.
Comércio - Como o senhor avalia a sua situação hoje?
Mambrini - Estou numa situação muito difícil. Vocês estão jogando pesado contra mim, me colocando em uma péssima situação perante à comunidade, como naquele episódio que fui a Restinga com o carro da presidência da Câmara...
Comércio - Mas o senhor foi a Restinga com o carro da presidência. Onde está o erro na informação do jornal?
Mambrini - Eu assumi que estava fazendo. Ali na Câmara tem um milhão de coisas muito piores do que isso que estão falando de mim. Tenho a impressão de que estou sendo um bode expiatório.
Comércio - O senhor teme pelo seu futuro?
Mambrini - Pelo meu futuro, não. Temo pelas injustiças que posso sofrer ainda mais. Nem em processo administrativo estou incluído, não fui notificado pela Comissão de Ética, não há nenhum parecer, nada. Mas a opinião pública já me cassou. É um paredão de fuzilamento.
Comércio - Caso perca seu mandato, o que o senhor faria para sobreviver?
Mambrini - Se eu precisar trabalhar em qualquer coisa no futuro, enfrentarei sem problema. Sou garçom de formação, profissional de segurança púbica. Meu trabalho nas escolas não parou.
Comércio - Seu trabalho na Polícia Militar até que era elogiado. Em algum momento, o senhor se arrependeu de entrar na política e encerrar sua carreira na PM?
Mambrini - Fiz uma opção na minha vida. Entrei na política porque acreditava que poderia promover mudanças na sociedade. Não estou arrependido, mas triste, porque tudo o que construí na polícia, não consegui trazer para a política. É um jogo, que para não chamar de sujo, eu diria que não é limpo.
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