Engler ‘investiga’ financiadoras de sua própria campanha


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AMIZADE ANTIGA - O deputado Roberto Engler disse ser amigo de infância de dono de construtora suspeita de fraude
AMIZADE ANTIGA - O deputado Roberto Engler disse ser amigo de infância de dono de construtora suspeita de fraude
Amarrar cachorro com lingüiça. O ditado popular bem que poderia ser utilizado para definir uma situação inusitada na Assembléia Legislativa de São Paulo. Lá, quatro dos sete membros das Comissão de Serviços e Obras Públicas, que têm a missão de analisar as concessões de obras do Estado, receberam doações de empreiteiras para fazer suas campanhas eleitorais. Entre eles está o deputado francano Roberto Engler (PSDB), o que mais recebeu contribuição de empresas ligadas à construção civil para sua campanha entre os membros da comissão. De acordo com informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o tucano paulista recebeu R$ 237 mil de cinco empresas de engenharia, uma delas de Aparecida de Goiânia (GO), e R$ 35 mil de Orlando Bueno Ribeiro, um dos sócios da LBR Engenharia e Consultoria. A empresa, inclusive, foi a empreiteira responsável pela maior doação para Engler, no total de R$ 142 mil em cinco oportunidades. O valor total de doações das empreiteiras e de Orlando corresponde a 35,99% de toda a arrecadação de campanha do deputado francano. A LBR foi suspeita de fraudar a construção de casas populares da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). A Operação Pomar, da Polícia Civil com o Ministério Público realizada em maio, apontou a atuação de dois engenheiros da LBR no suposto superfaturamento de obras da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano. Em matéria publicada pelo Comércio da Franca no dia oito de julho, Roberto Engler confirmou o recebimento das doações e disse ser amigo de infância de Orlando, que seria francano. O deputado foi procurado ontem pela reportagem, mas não foi encontrado. Foram feitas duas ligações para seu celular e duas para o telefone de seu assessor de imprensa. Até o fechamento desta edição, não houve nenhum retorno. O chefe de gabinete de Engler, Jorge Luís Júlio, conversou com a reportagem e disse não ver problemas no fato do deputado ter recebido dinheiro de empreiteira para a campanha e fazer parte da comissão responsável por investigar possíveis irregularidades em obras públicas. “As doações foram aprovadas pelo Tribunal, foram antes de tomar posse e só depois de 15 de março que as comissões foram formadas. Não tem nenhuma ilegalidade nisso”. Questionado se isso não esbarraria em uma questão ética, Jorge disse que não. “Não há nenhuma imoralidade na presença dele como membro (da comissão)”. A postura do candidato, no entanto, caberia ser avaliada pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembléia. Detalhe: do qual Engler é membro efetivo. Colaborou Patrícia Paim

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