O que seria a realização de um sonho está se transformando em uma desilusão. As 192 famílias contempladas nos imóveis da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) do Parque dos Pinhais esperam a entrega das chaves há mais de cinco meses. Além de conviverem com a ansiedade, a falta de ter uma casa própria acarreta outros problemas.
O motivo de tal demora seria a burocracia na entrega da documentação. Segundo o gerente regional da CDHU, Evaldo Jardim, os mutuários devem ter novo lar no fim de janeiro. “Hoje (quinta-feira, 10) conseguimos o laudo de vistoria dos bombeiros, a planta cadastral e a CND (Certidão Negativa de Débito). Agora vamos juntar todos os documentos e trazer junto ao cartório de Franca”, disse. Depois de cumprir essa etapa, eles procederão à entrega. “Ela pode acontecer ainda neste mês”.
Como a data de entrega foi anunciada outras vezes pela companhia, algumas famílias perderam a esperança (entenda o caso no quadro abaixo). A empregada doméstica Débora de Souza, moradora no Jardim Palma, está vivendo de favor na casa da mãe com mais 18 pessoas. São quatro filhos, sobrinhos e irmãos em um mesmo teto. “Não tenho lugar para ir. A minha única esperança era poder morar no que é meu. Fui sorteada nos predinhos mas nada adiantou até agora. Quero meu cantinho”, disse. Débora ainda está indecisa de onde matricular seus dois filhos mais velhos (Leonardo tem 8 anos e Larissa, 12). “Não sei se matriculo eles na escola aqui do bairro ou perto dos Pinhais. Meu medo é eles ficarem sem vaga em nenhum lugar por causa da demora na entrega das casas”.
Ela ainda não vive com outro problema que é bem comum entre os mutuários. Quem mora de aluguel está enfrentando a pressão das imobiliárias para renovar ou rescindir os contratos. “Se eu assinar a papelada (renovar), ou terei que desistir de me mudar para as casinhas ou terei que pôr a mão no bolso para pagar a imobiliária”, disse o motorista João Ferreira, 45, que se inscreveu nos sorteios há mais de 10 anos. As multas e valores cobrados pelas imobiliárias, se ocorrer o cancelamento do contrato, podem variar. “No meu caso, terei que pagar um mês de aluguel sem estar na casa. É injusto, mas fazer o quê?”, reclama.
As parcelas dos apartamentos são calculadas de acordo com o salário do contemplado. Ferreira vai pagar R$ 170 por mês.
Em busca de respostas, as famílias procuram a sede da Prohab (Núcleo de Habitação Popular) de Franca. Vanderlei Tristão, superintendente da unidade, disse que todos os dias atende pelo menos quatro famílias em busca de informações sobre a entrega dos predinhos. “Infelizmente a notícia nunca vem da gente e nem sempre é favorável. Dependemos da CDHU de Ribeirão Preto”, disse.
Por enquanto, não há projetos da companhia para realizar inscrições para novos empreendimentos.
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