O preço do café, importante produto da pauta agrícola da região, aumentou consideravelmente nos últimos meses, em especial nesta primeira quinzena de 2008. O motivo, de acordo com especialistas do setor, é a velha máxima que rege o mercado: a relação entre a oferta e a procura dos produtos.
A notícia de que a safra deste ano pode sofrer uma quebra de até 25% fez com que as estimativas de produção fossem reduzidas para 42,73 milhões de sacas, o que provocou um aumento no preço do produto. De acordo com dados da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), a cotação da saca que em novembro estava em R$ 245,63, saltou para R$ 261 em dezembro, chegando a R$ 265, na última sexta-feira, o maior valor desde março daquele ano.
O motivo da quebra da safra seriam as condições climáticas, como explica o presidente do Sindicato Rural de Pedregulho, Heli Martim Vieira Brentini. “A previsão de safra saiu abaixo do que se esperava por conseqüência da seca, da estiagem que deu no período da desflorada”.
O gerente de comercialização da Cocapec, Anselmo Magno de Paula, acompanha o raciocínio de Heli. “O café veio de 2007 com uma safra baixa por causa da bianualidade da cultura (produtividade menor a cada dois anos) e inicia 2008 com o mercado agitado, já que a supersafra deste ano não ocorrerá”.
Heli diz ainda que a previsão é que se trabalhe agora com um pequeno estoque. “Estamos prevendo trabalhar com um estoque bem apertado. A quebra deve ser em torno de 25%”. Além disso, ele salienta que existe a possibilidade de haver falta do produto no mercado. “Não sei se o estoque que existe hoje no mercado vai agüentar até chegar a colheita. Há, sim, risco de faltar café no mercado interno”. Neste ponto, o gerente de comercialização da Cocapec discorda do produtor rural. “Os estoques estão baixos, porém não acredito em falta de produto, já que, em maio próximo, se inicia a colheita desta safra, que deverá se estender até o mês de agosto”.
CUSTO
Se o café está mais caro, os custos de sua produção também subiram segundo os produtores. Além de amargar uma colheita menor do que a esperada, o cafeicultor viu os insumos aumentarem de preço. “A grande dificuldade é que o custo de produção tem crescido, especialmente dos fertilizantes, com alta de pelo menos 35%”, comenta Anselmo Magno, que complementa dizendo que o custo da produção este ano deve ser menor, já que a produção será maior do que a de 2007 por causa da bianualidade.
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