Francana x Verdão: abismo da realidade


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Os dois clubes adotaram o verde como cor predominante. Foram fundados apenas com dois anos de diferença (um em 1912 e o outro em 1914). Estas são algumas poucas semelhanças entre Francana e Palmeiras, respectivamente, que se enfrentaram em jogo-treino na última quinta-feira em Atibaia. Um encontro que não acontecia desde 2002, quando houve outro jogo-treino entre as equipes. Oficialmente, o último ano em que ambos se encontraram foi em 1982, quando a Veterana ainda estava na Primeira Divisão do Estadual. Nesta semana os torcedores puderam ver que no futebol, como na sociedade, existem diferenças gritantes de classe. A Francana convive com uma relativa penúria e se aproveita do esforço de sua diretoria para conseguir algum recurso. Já o co-irmão da capital desfruta de luxo e milhões de reais. Ambos lembram a famosa história do primo rico e do primo pobre. Mesmo realizando a pré-temporada no mesmo local as diferenças são visíveis. A Francana, que disputará a Série A-3 do Paulista, utilizou o Centro de Treinamento Nakazawa, que fica em um sítio de sete alqueires e três blocos com 54 quartos. O CT está próximo ao pé da Serra da Mantiqueira, tem relativo conforto nos quartos e assemelha-se a pousadas ou colônias de férias existentes em cidades do litoral. Não há luxo, como TV no quarto, frigobar ou telefone. Para isto, há uma sala comunitária. Nem por isso deixa de ser aconchegante. O local possui duas piscinas, com tamanhos diferentes. Quadra de areia para jogar futvôlei e dois campos. Um com gramado bonito, outro marcado pelo desgaste. O restaurante assemelha-se a um refeitório e há mesas em formato quadrangular com seis lugares. Tudo isso por um preço acessível: diária de R$ 32. E a Francana ainda lutou por desconto. Do lado do Palmeiras, tudo é bem diferente. O hotel tem portaria com chancela e guarda 24 horas, que só permite o acesso ao Resort Bourbon com autorização. Lá dentro, é preciso transitar por uma estradinha sinuosa, que faz o visitante subir uma pequena serra para chegar à sede do prédio de 15 andares e com 572 quartos. A construção é imponente, com pilares que fazem o visitante quebrar o pescoço ao olhar para cima e uma gigantesca área de estacionamento. Há também piscina com cachoeira artificial e uma centena de cadeiras brancas para quem quiser tomar sol. Um veículo em forma de trenzinho, igual aos que fazem passeio com crianças no centro de Franca, carrega os hóspedes da entrada do hotel para a área de lazer e piscinas. No campo de futebol, a grama mais parece um tapete. Tudo isso por um preço considerável: diárias entre R$ 680 e R$ 3600. Tudo pelo título da Série A-1 do Campeonato Paulista, com jogo previsto para esta semana. "O Wanderley Luxemburgo vem para cá sempre que não está disputando jogos. Fica dois, três dias aí. É cliente", disse o jardineiro responsável somente pelo gramado, Ademilton dos Santos, 27. Como no futebol, as diferenças existem entre as pessoas. Luxemburgo recebe R$ 500 mil por mês, Ademilton ganha R$ 700. Ao menos os dois freqüentam o mesmo lugar.

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