Maior jogador da recente história do basquete brasileiro, o ex-jogador Oscar Daniel Bezerra Schmidt, 49, tentou em 2005 revolucionar o esporte no Brasil, ao fundar a Nossa Liga de Basquete. Medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, quando comandou o Brasil na vitória sobre a poderosa seleção dos Estados Unidos, "Mão Santa" prometia então uma "virada" no esporte. Não deu certo. A Nossa Liga teve vida curta e nunca contou com o reconhecimento total.
O embrião do movimento se deu em 2003, quando Oscar encerrou a carreira de atleta, jogando pelo Flamengo. O ala aventurou-se como cartola e montou seu próprio time no Rio de Janeiro. Em 2005, ao lado das ex-jogadoras Paula e Hortência, iniciou o levante contra a CBB (Confederação Brasileira de Basquete), fundando a NLB (Nossa Liga de Basquetebol), que contava com a participação de 29 clubes de 10 Estados brasileiros. Foi organizada então a primeira competição independente da CBB. A primeira e única edição da Nossa Liga teve Limeira como campeã.
Três anos depois, a entidade praticamente não existe. A revolta contra a CBB, no entanto, persiste. No final de 2007, encabeçados pelo Franca Basquete, oito clubes paulistas não se inscreveram no Campeonato Nacional e fundaram a ACB (Associação Brasileira dos Clubes de Basquete). Sem acordo com a entidade, que não divide a organização de seus torneios, a intenção é realizar a primeira edição da Copa Nacional de Basquete, torneio paralelo ao da CBB.
Em entrevista ao Comércio da Franca, Oscar afirmou que a iniciativa pode até emplacar, mas disse que se todos os clubes brasileiros tivessem permanecido junto à Nossa Liga, a situação hoje poderia ser diferente.
Afastado do basquete, o ex-jogador Oscar Schmidt passa férias nos Estados Unidos e afirmou que no momento só pensa em curtir sua família. Por e-mail, falou de diversos temas, como seleção brasileira, Associação de Clubes e sua decepção com o Franca Basquete, que, na última hora, desistiu de participar da Nossa Liga e disputou o Campeonato Nacional da CBB. “Franca e Paulistano foram as maiores decepções”, afirmou. Confira:
Comércio da Franca - Como está a situação da Nossa Liga? Você acredita que ela ainda pode voltar?
Oscar Schmidt - Não acredito, porque as pessoas não sabem o que querem. Então, acho que a Liga cumpriu seu papel revolucionário, pena que foi só por um ano, mas valeu a pena.
Comércio - Você acha que a formação da Associação Brasileira de Clubes de Basquete por 8 times paulistas se trata de uma iniciativa semelhante à da Nossa Liga?
Oscar - Justamente por isso respondi a primeira pergunta. Colocamos à disposição do basquete o que de melhor foi feito na nossa história e por motivos muito pequenos resolveram criar outra coisa parecida. Para quê? O legal era a Liga, a luta, dar a cara pra bater.
Comércio - Você acredita que a Associação e seu torneio podem emplacar?
Oscar - Pode até emplacar, mas não me peçam para entrar em nada parecido. Junto com mais alguns abnegados brigamos demais para que fizéssemos uma revolução no basquete. Não adiantou, pois a maioria não pensa no basquete. Cansei de brigar pelos outros, não vale a pena. Prefiro cuidar da minha família, é melhor.
Comércio - Quais ações você acredita que os descontentes com a atual gerência da CBB poderiam realizar para reverter a crise do esporte?
Oscar - Fazer o que nós fizemos, a Liga. Tivemos a coragem de fazer e alguns deram pra trás. Se todos que fundaram a Liga tivessem continuado, o basquete já estaria em posição muito melhor, está na cara. Criamos algo diferente, onde quem mandava eram os clubes. O presidente tinha dois anos de mandato, justamente para não atrapalhar.
Comércio - A crise e a falta de resultados da seleção nacional é motivada por incompetência da direção da CBB como dizem os críticos?
Oscar - Claro que sim, mas tem muita gente dando uma mãozinha nas questões internas.
Comércio - Se a seleção brasileira ficar fora da Olimpíada, pode ser "bom" para demonstrar a crise que a atual gerência da CBB implantou no esporte do País? Se isso acontecer, você acredita em mudanças? Quais?
Oscar - Nunca é bom ficar fora. Eu torço e quero que o Brasil volte a disputar os Jogos Olímpicos. Não importa se há briga política, seleção é seleção e eu sou apaixonado pela minha.
Comércio - Você comandou a criação da Nossa Liga. Franca estava nela no início e depois a abandonou. Considera este fato uma traição?
Oscar - Franca e Paulistano foram as maiores decepções que tivemos. O Paulistano sediava nossas assembléias e Franca dizia que só disputaria a Liga...fazer o quê?
Comércio - Você move algum processo contra a CBB?
Oscar - Briguei demais, como ninguém nunca brigou. Não vi ninguém chorar por mim quando não colocaram minha equipe (campeã brasileira) no Sul-Americano. Não vi ninguém chorar quando não queriam que eu jogasse o nacional da CBB. Não joguei o Sul-Americano, mas a CBB engoliu minha equipe no Nacional, que não acabou, diga-se de passagem. O único campeão brasileiro daquele ano foi Limeira, vencedor da Nossa Liga. Não valeu a pena, foram noites sem dormir e ainda teve as brigas na justiça comum (agora isto virou moda, antes todo mundo tinha medo). Só perdi, tempo, saúde, dinheiro, e pra quê? Vou cuidar da minha vida.
Comércio - Em Franca, Hélio Rubens Garcia é um mito e para o basquete ele tem uma rica história. Mas para os brasileiros a história de Oscar é mais lembrada até porque seus principais títulos são mais recentes. Qual é o melhor?
Oscar - Cada um tem seu tempo, sua época, seu lugar.
Comércio - As vaias no Póli o incomodavam?
Oscar - Adorava quando me vaiavam, xingavam, porque assim meus companheiros jogavam tranqüilos. Costumava até a começar uma rixazinha com a torcida justamente pra isso, fiz isso a vida toda, porque nunca me incomodou jogar contra a torcida. Mas tem jogadores que se incomodam, então eu sempre chamei pra mim os xingamentos. Fazia questão de vibrar mais do que o normal após uma cesta pra irritar a torcida.
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