Não houve tempo sequer de cortar o bolo. Antes mesmo dos parabéns, homens armados invadiram o recinto e acabaram com a festa. No lugar dos cumprimentos, ameaças, agressões e prejuízo. A noite de quinta-feira registrou um arrastão incomum em Franca e apavorou freqüentadores de um bar popular na região da Unifran (Universidade de Franca). Em poucos minutos, os ladrões roubaram 12 pessoas e deram coronhadas em um médico. Não foi um feliz aniversário.
Um grupo de amigos se reuniu no Nativas Bar, localizado na Avenida Armando Salles de Oliveira, habitualmente freqüentado por universitários, para comemorar os dois anos de atividade do estabelecimento e o aniversário da mulher do proprietário. Entre os presentes, havia médico, advogado, dentista e estudantes. Às 22 horas, três intrusos empunhando revólveres chegaram sem pedir licença.
Dois menores estavam sob o comando de um rapaz aparentando ter entre 20 e 25 anos. Ele é quem dava as coordenadas para os garotos que empunhavam, cada um, um revólver calibre 38. Os marginais renderam primeiramente o garçom do bar e em seguida foram dominando os clientes. “Eu estava na cozinha preparando uma pizza, quando vi meu pai conversando com um dos homens. Quando me aproximei percebi que se tratava de um assalto e os bandidos ameaçavam meus amigos. Fiquei com muito medo”, disse a comerciante GVT, 31, aniversariante da noite.
A ação dos criminosos durou de cinco a dez minutos, tempo suficiente para aterrorizar as vítimas. Pai da aniversariante, o médico OT foi covardemente agredido com uma coronhada no nariz. “Ele não reagiu aos assaltantes. Quando entregou o dinheiro o ladrão bateu no nariz dele com o cabo do revólver, mandando ele passar logo o dinheiro”, disse o garçom LISF, 23 anos.
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No total, 12 pessoas entre amigos e clientes da comerciante tiveram suas carteiras e bolsas roubadas. Enquanto os dois menores pegavam o dinheiro, o terceiro marginal ficava na porta vigiando e orquestrando a ação. “Ele era o único maior. Todos estavam com rostos descobertos. O que ficou na porta chegou a falar o apelido de um dos meninos”, disse a comerciante.
Os ladrões fugiram a pé e, segundo a vítima, a Polícia Militar demorou mais de 40 minutos para chegar ao local. “Meu marido teve que ligar várias vezes. Os policiais demoraram demais. Quase uma hora depois é que apareceram”, disse GVT. Naquele momento, cerca de 12 policiais apreendiam quatro máquinas caça-níqueis em um bar no Jardim Zelinda.
De acordo com major João Paulo Macedo Brandão Júnior, subcomandante do 15º Batalhão da Polícia Militar, a reclamação da vítima deverá ser apurada numa investigação preliminar. A quantidade de policiais numa mesma ocorrência de apreensão de jogos de azar também será parte do procedimento apuratório. “Vou verificar se realmente houve a demora no atendimento e, no mesmo processo, verificar a situação dos policiais excedentes na apreensão. Temos relatórios e gravações das ligações feitas no 190. É estranho esse tipo reclamação em casos de roubos, mas vamos apurar”, disse Brandão.
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