Pára tudo


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Você já se perguntou por que seus antepassados tinham, no mínimo, dez filhos e com idades bem próximas? Uma das respostas dos médicos é que, na época de sua bisavó, um dos métodos usados para evitar ter em casa um time de futebol era lavar a vagina com ducha de água fria após a relação sexual, o que nunca deu certo. Hoje, com as pílulas anticoncepcionais, você toma um único comprimido por dia e pronto. Esse medicamento é um dos métodos mais eficazes entre os jovens para evitar a gravidez indesejada. Feito à base de hormônios sintetizados em laboratórios, o anticoncepcional age evitando que os ovários liberem o óvulo para as trompas, impedindo assim que ele seja fecundado. O ginecologista Roberto Salomão garante que 99% das mulheres que tomam as pílulas não correm o risco de engravidar. Mas isso pode ocorrer se a mulher falhar na hora de tomar o remédio, que é diário. “A cada 24 horas, a dosagem de um comprimido acaba e necessita de outro para não desfazer o ciclo”, disse. Mas se você não tem memória de elefante e está sempre esquecendo de tomar, o tempo não pode passar de 12 horas do horário. “Caso a mulher esqueça, deve tentar outros métodos na hora da relação por, no mínimo, sete dias. A camisinha é uma alternativa”, disse. O momento ideal para iniciar o uso do medicamento é após um ano, ou mais, da primeira menstruação. “Depende também das condições físicas e da saúde da mulher. Quem não está com o peso adequado pode ter problemas ao tomar”, disse. Para que as meninas não errem na escolha do seu anticoncepcional, os especialistas recomendam a consulta a um médico. “Cada mulher reage de uma maneira com determinados remédios. A partir de uma conversa e de exames, sabemos qual o remédio mais indicado”. Além de ser um método contraceptivo, o anticoncepcional alivia cólicas, pode melhorar a pele e regula a menstruação da mulher (saiba mais nos quadros ao lado). Mas quem usa não está livre de efeitos colaterais. Sentir dores nos seios e ter sangramento vaginal fora dos dias de menstruação também podem acontecer. Algumas dúvidas freqüentes entre as jovens é se o medicamento engorda. “Isso não é verdade. As pílulas mais comuns possuem em sua composição dois tipos de hormônios (estrogênio e progesterona). O progesterona retém líquidos, mas não altera o corpo da mulher”, disse o ginecologista Paulo Jorge. Por mais que seja indicada uma consulta prévia ao de iniciar o método, a farmacêutica da rede Droga Farma, Gisele Alves Afonso, revela que atende vários casos de adolescentes que nunca foram a um consultório, mas que já usam o medicamento. As marcas preferidas dessa galera são as mais baratas. Microvlar lidera o ranking. “Atualmente vendemos ele por R$ 4,07 à vista. Em segundo lugar, é o Neovlar, vendido a R$ 3,66 à vista”, disse. O anticoncepcional mais caro na farmácia custa R$ 40,24 à vista. A maioria das pessoas que compra o anticoncepcional tem idades entre 15 e 25 anos. A estudante Alessandra*, moradora no Centro, faz parte desse grupo. Com 21 anos, a jovem usa o medicamento há cinco meses e encontrou nele uma maneira de “se divertir” com o namorado sem dor de cabeça. “Não sei se devo, mas confio no remédio. Fui ao ginecologista antes de começar a tomar e ele me tranqüilizou. Tinha medo”. Para não esquecer de ingerir a pílula, ela conta com ajuda do companheiro. “Namoro há quase três anos e, por medo de acontecer alguma coisa, ele sempre me pergunta se já tomei”, disse entre risos. BULA Os anticoncepcionais mais comuns são vendidos em cartelas com 21 comprimidos. A mulher deve começar a tomar no primeiro dia da menstruação, respeitando o horário que ingeriu o remédio pela primeira vez até a cartela acabar. Acabada, depois de dois ou três dias, a menstruação volta e é quando você deve recomeçar o uso do medicamento. * Nome fictício, a entrevistada pediu para não ser identificada

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