Sapateiros prontos para o debate; Sindifranca nem tanto


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Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sa-pateiros: negociação
Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sa-pateiros: negociação
Todos os anos o Sindicato dos Sapateiros apresenta com antecedência de mais de um mês da sua data-base - 1º de fevereiro - a pauta de reivindicações da campanha salarial. A idéia de antecipar o pedido é ter tempo para discutir e fechar um bom acordo para a categoria. A lista com as exigências para 2008 começou a ser elaborada em novembro do ano passado, passou pelo crivo dos trabalhadores e, no dia 21 dezembro, o documento foi protocolado no Sindifranca (Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca) com sugestão para uma primeira discussão no dia 21 de janeiro. A 10 dias da data sugerida para o início das negociações, Jorge Donadelli, presidente do Sindifranca, afirma que não leu o documento e que só vai analisá-lo em uma assembléia de diretores que não tem data marcada e só deve acontecer na semana seguinte à Couromoda - feira de calçados e acessórios que acontece entre 14 e 17 de janeiro, em São Paulo. Apesar dos sapateiros estarem prontos para o debate, as discussões em torno da campanha salarial não devem ser diferentes de anos anteriores e podem se estender pelos próximos dois meses. Nesse período, os patrões terão que analisar uma extensa lista de reivindicações contendo 78 itens, sendo os principais as cláusulas econômicas como reposição da inflação, aumento real e perdas salariais, que somam um total de 15% e um piso de R$ 630. Em nenhuma negociação anterior os sapateiros conquistaram na íntegra os índices reivindicados. A média de reajuste da categoria nos últimos cinco anos ficou em 9% (confira no quadro nesta página), mas em todas as campanhas, afirmou o sindicato, os trabalhadores conseguiram a reposição da inflação do período e um pequeno aumento real. “Na segunda metade década de 90 mal conseguíamos fechar um acordo. Tivemos ano em que a inflação foi de 6% e fechamos em 3% para receber no ano seguinte”, disse Paulo Afonso Ribeiro, presidente do Sindicato dos Sapateiros, acrescentando que o aumento real dos últimos cinco anos é uma das maiores conquistas dos trabalhadores desde 2000. [FOTO2] PEDIDOS ANTIGOS Na lista com 78 cláusulas, os sapateiros apresentam, no mínimo, 55 itens antigos. A maioria foi aprovada em convenções anteriores e deve ser ratificada durante as negociações. Outros sempre foram negados pelos patrões, como redução da jornada de trabalho para 40 horas, o fim das horas extras, PLR (Participação dos Lucros e Resultados) em 200 horas e abono escolar de 30% do salário. Neste ano, após fechar um acordo, os sindicalistas começarão outra discussão em torno de uma pauta que contém 38 itens, entre eles transporte e plano de saúde gratuitos para os trabalhadores, além da mudança da data-base da categoria para o mês de agosto, quando boa parte dos pedidos para o segundo semestre são fechados e negociar, segundo os sapateiros, ficaria mais fácil.

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