A empresinha


| Tempo de leitura: 2 min
Eu odeio a TIM. Quando cheguei em casa, de volta do réveillon encontrei um pacote com um celular da empresa, acompanhado de nota fiscal e contrato de venda. O detalhe é que eu não havia comprado celular nenhum... Imediatamente liguei para devolver o aparelho. Fiquei longos minutos ao telefone, sendo jogado de um atendente para outro. Quando o sistema não caía, estava lento. Uma tortura. E depois a ameaça: “esta conversa está sendo gravada”. Foram horas ao telefone até que uma atendente abriu um protocolo de cancelamento, me passou o número e me tranqüilizou: “Vamos mandar retirar o telefone que o senhor não comprou”. No dia seguinte recebo ligação da TIM. Uma moça diz que a empresa não aceitará o protocolo de cancelamento, pois eu havia superado o prazo para reclamação, que era de sete dias... O telefone que eu não pedi foi entregue entre o Natal e Ano-Novo, quando eu viajava. Quando cheguei, nove dias haviam se passado. Gritei, esbravejei, ameacei e nada. Pedi que chamassem o supervisor. Não tem. Pedi o gerente. Não tem. Pedi outro atendente. Não adiantou. Com o sangue fervendo desliguei na cara da atendente. No processo, devo ter falado com 12 ou 13 pessoas diferentes. Para cada uma repeti tudo, o CIC, o RG... Liguei para meu advogado. Ele aconselha a esperar a TIM mandar meu nome para o SPC, assim buscaríamos uma indenização de cerca de 40 salários mínimos. Tive uma idéia. Procurei, entre os 27 mil endereços eletrônicos que recebem meus artigos, os que tinham TIM. Encontrei oito. Mandei um e-mail pedindo ajuda. Dois responderam, solicitando mais dados para encaminhar a reclamação internamente. No dia seguinte recebi um e-mail da responsável pela área de televendas, pedindo desculpas e dizendo que mandariam retirar o aparelho . Hoje levaram o dito. Só posso imaginar que os vendedores de telemarketing têm que fechar uma cota mensal. Quando chega o fim do mês e o número não é atingido, pegam os dados de algum cliente antigo (meu caso) e fazem a venda à revelia. Fecham a cota e o cliente que se vire. A devolução acontece em outra área da TIM e ninguém fica sabendo da malandragem. Vigarice. O sujeito da logística tem que fazer as entregas dentro de um tempo determinado. Se o cliente não está, entrega para a empregada e ele mesmo assina o canhoto da nota. Falsidade ideológica. Os atendentes têm que ouvir os clientes e tentar resolver com através dos 20% dos problemas que geram 80% das reclamações. Saiu fora, não tem como. E não existe a quem recorrer. Mau atendimento. Mas eu não vou ficar quieto, não. Você trabalha ou trabalhou na TIM ou outra operadora? Conhece alguém que trabalhou e que possa me contar o que se passa lá dentro? Escreva-me. Garanto o sigilo. Quero escrever um artigo devastador que escancare a incompetência, jogo de interesses, desonestidade e falta de ética dessas empresinhas. Depois mando um e-mail para a TIM pedindo desculpas. LUCIANO PIRES é jornalista, escritor, conferencista e cartunista.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários