Nascem em Franca cerca de cinco mil bebês todos os anos. Por trás das estatísticas se esconde um vasto mercado, pronto para atender a uma tropa de gestantes. São exames de ultra-sonografia capazes de mostrar até as unhas do feto, roupas do tamanho certo para encaixar a barriga, cursos para ensinar a cuidar do bebê e outros itens voltados para quem está gerando uma criança.
Foi-se o tempo em que os exames mostravam apenas o tempo de gestação, medidas e sexo do bebê. Aparelhos de ultra-sonografia, disponíveis em Franca, permitem “conhecer” o nenê antes de ele sair do útero. “A ultrassonografia tem uso clínico massivo há 25 anos. Os aparelhos usam tecnologia de ponta, são caros e importados. Eles têm evoluído rápido e o conhecimento médico acompanha tais avanços”, disse o ginecologista Carlos Paim.
O exame convencional, que custa de R$ 60 a R$ 90, e é também feito pela rede pública, permite medir diâmetros da cabeça, barriga, ossos e líquido amniótico. Outros aparelhos vão além, como a doppler fluxometria a cores, 3D, 4D e morfológico. Esses exames custam cerca de R$ 200. “Além da qualidade de imagem, com o doppler é possível estudar a circulação do útero, placenta e feto”, disse o ultra-sonografista.
São esses exames mais detalhados que permitem aos médicos se prepararem para o nascimento de bebês com problemas, diminuindo riscos e aumentando a segurança durante o parto. “Já acompanhei vários casos em que a criança tinha alterações no coração e nasceu em hospitais preparados para fazer a cirurgia após o nascimento. Isso porque a mãe havia feito o exame antes e identificamos o problema”, disse o médico que tem a Clínica Paim Diagnóstico e Ultra-som há 20 anos.
Outro tipo de exame, o 4D, é capaz de mostrar o nenê em movimento, enquanto pisca os olhos, abre a boca, chupa o dedo... tudo em tempo real, como um filme dentro da barriga. “Além de ser importante para diagnóstico e tratamentos, a tecnologia ajuda o casal se preparar para a maternidade e especialmente paternidade. A mãe sente a mudança no corpo com a gravidez. O pai não”, disse Paim.
O ultra-som morfológico permite analisar a anatomia de forma aprofundada, mostrando os órgãos internos. Com ele é possível até detectar se o nenê é portador de Síndrome de Down através da medição da nuca. “Uma paciente fez o morfológico e descobriu que o filho tinha lábio leporino. Optou por fazer o 4D para ver o rostinho e se habituar com a face do nenê”, disse Rosângela Paiva, recepcionista da Clínica de Ultra-sonografia Zanini. O local faz 40 morfológicos por mês. Os métodos não apresentam riscos para o bebê nem para a mãe.
A analista de sistemas Nise Lane Franceschini, 29, está grávida de seis meses e fez o exame morfológico para saber como está a filha Bruna. “Achamos importante saber como estão os órgãos dela. Se detectasse algum problema, teríamos chance de cuidar cedo. No nosso caso, tivemos uma ótima notícia. A Bruna tirou nota dez”. O convênio médico dela cobre esse procedimento.
Nise e o marido, o bancário Eduardo Franceschini, 29, se preparam para conhecer mais sobre a filha daqui cinco semanas. A mãe fará o ultra-som 4D por R$ 180. “Será uma oportunidade de vermos o comportamento da Bruna no útero, as brincadeiras que ela inventa e conhecer sua fisionomia, já saber com quem se parece”, disse Nise.
O QUE É?
Os ultra-sons também ganharam sua fama por revelarem o sexo do bebê a partir do quarto mês de gravidez. Mas essa realidade está prestes a mudar. Já existe e é oferecido em Franca o exame de sexagem fetal. Pela análise do sangue da mãe, é avaliado se há a presença de cromossomos masculinos (Y). “A partir da oitava semana de gestação, o sangue da mãe e do bebê se misturam. Se houver cromossomo Y no sangue da mulher é porque o bebê é do sexo masculino”, disse a biomédica Ana Paula Moreira, do Laboratório Cedaclin. O exame foi encontrado entre R$ 160 e R$ 633 em três locais consultados.
Nise fez a sexagem por R$ 160. “Foi extremamente importante. Gastamos com tantas coisas. A gravidez é um momento único e vale a pena investir. Saber o sexo e chamar pelo nome desde o início é algo indescritível”.
Fabricantes de roupas também enxergam nas grávidas um nicho de mercado a ser preenchido. Elas agradecem. “O corpo muda muito. Os jeans normais apertam a barriga. Fiquei emocionada quando descobri a calça de gestante depois de cinco meses sem vestir uma”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.