Se a votação do processo de cassação do vereador Marcelo Mambrini (PMN) fosse hoje, dez vereadores afirmam que optariam pela extinção de seu mandato. O número significa os 2/3 dos assentos da Câmara e quórum exigido pelo regimento da casa para cassar um parlamentar. Sob a condição de que não revelaria suas declarações, o Comércio ouviu os vereadores ontem. A disposição é pela cassação, cujo processo pode levar até três meses.
Depois de ligar para todos os vereadores, quatro deles não atenderam às ligações, incluindo o presidente Joaquim Pereira Ribeiro, cujo voto, a princípio, é dispensado, salvo se houver empate entre os demais. Mambrini também tem direito a votar.
O vereador do PMN foi denunciado pelo Ministério Público após ser acusado de ficar com metade do salário líqüido de uma assessora, que chegava a R$ 1,6 mil. Uma gravação de vídeo entregue ao MP em dezembro foi a prova que faltava para a promotoria fechar questão sobre o caso.
Nas imagens, Mambrini aparece recebendo R$ 650 das mãos da assessora Lara Rodrigues. Outros R$ 150 seriam entregues posteriormente. Por telefone, nesta terça-feira, o vereador disse que as imagens não o incriminam e que o dinheiro recebido foi pelo pagamento de um empréstimo que ele fez à ex-funcionária, demitida em agosto do ano passado.
Dos vereadores consultados, apenas Nirley de Souza (DEM) absteve-se e não respondeu aos questionamentos. Segundo ele, sem conhecimento do processo, não é possível saber se Mambrini é ou não culpado.
A posição de Nirley é até compreensível. Ele é outro que está a um passo de ser denunciado pelo Ministério Público de Franca por, supostamente, ter exigido a divisão do salário de uma assessora, mas sob outra modalidade. A funcionária que denunciou o vereador à promotoria o acusa de ter exigido que ela financiasse em seu nome e pagasse as prestações de um carro, usado pelo irmão do político.
Embora ainda não tenha sido denunciado formalmente por nenhum crime, a situação de Mambrini é muito delicada. No dia 17, próxima quinta-feira, o ex-presidente da Câmara deverá comparecer à Comissão de Ética para apresentar sua defesa.
Na conversa com os vereadores ontem de manhã, a informação é que a conclusão dos trabalhos da comissão será divulgada na primeira sessão do ano, em 5 de fevereiro.
Pela disposição dos parlamentares, é certo que Mambrini vá responder a uma comissão processante e corre sérios riscos de perder suas funções legislativas.
Os trabalhos desta nova comissão, cujos membros são escolhidos pelo presidente da Câmara, Joaquim Pereira Ribeiro, devem durar 90 dias. Nesse período, diz o regimento interno, Mambrini pode pedir afastamento do Legislativo.
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