Ruim por baixo? Pior por cima!


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N inguém agüenta mais o noticiário sobre o que o governo vai fazer para compensar os quarenta bilhões de reais da extinta - graças a Deus - CPMF. O assunto já deu o que tinha de dar, e o governo? Bom, o governo já fez o que de melhor sabe fazer - aumentou os impostos. Mesmo assim a mídia tem dedicado boa parte de seu tempo para noticiar, analisar e comentar a morte da - já foi tarde - CPMF. Digo graças a Deus e já foi tarde porque sinceramente duvido que alguém, com exceção do governo, tenha sentido muito a perda da tal contribuição “provisória” sobre movimentação financeira, assim como duvido que alguém tenha percebido a presença dela em algum serviço público de saúde, seja através de melhoria dos atendimentos, disponibilidade de medicamentos, diminuição das filas de espera ou qualquer outra benesse que se possa comprar com 40 bilhões de reais por ano. E assim chegamos em janeiro - o mais brasileiro dos meses - um carnê atrás do outro - fora os impostos. E por falar em impostos: especialistas têm dito que até 2010 a carga tributária chegará a 50% do PIB, ou seja, metade do que se produzir neste País será papado pelo governo sob a forma de impostos diretos, indiretos, em cascata, etc. e tal. Antes de chegar ao poder muita gente tinha medo do Lula por que diziam que ele era comunista, socialista e mais uma meia dúzia de adjetivos que meu editor não permitiria que eu usasse. Agora, Lula lá não é nem comunista, nem socialista. Ele é igual aos outros, isso sim é que é. Fora do poder e convidado a falar sobre impostos, Lula esbravejava, vociferava, rugia e amaldiçoava seus opositores no poder. Lula lá, fala manso, diz que é necessário, que é imprescindível, que é irremediável, que é questão de vida ou morte. Disse até que os bancos nem reclamaram do aumento do imposto que eles pagam. É claro, quem vai pagar somos nós. Reclamar do quê? Dizem que sem os R$ 40 bi o Brasil pára. Que bom, quem sabe parado a gente consegue engatar primeira, depois segunda e assim sucessivamente, afinal de contas trocar de marchas andando de ré não é tarefa fácil. Essa coisa de político de oposição que vira situação me fez lembrar de uma estória. Dizem que certa noite, numa balada, um rapaz encontrou-se como uma bela jovem. Depois de uma noite inteira de carícias e outras coisinhas mais, o rapaz não hesitou em dizer: “tenho certeza que você é veterinária, afinal de contas cuidou tão bem do meu bichinho”. A moça não ficou atrás e disse: “tenho certeza que você é político”. “Nossa! Por que você acha isso?”, exclamou o rapaz. E ela devolveu: “Foi fácil perceber. Afinal de contas quando você estava por baixo não parava de gritar e quando estava por cima não fazia nada que prestasse”. A piada pode ser ruim, mas, que há uma verdade implícita, isso ninguém pode negar. O jeito brasileiro de fazer política é bem assim. Se há governo somos contra. Se somos governo, não foi possível fazer melhor por causa dos que nos antecederam. Não dá mais para continuar assim. Precisamos de políticos sérios, comprometidos como o povo que os elegem e pagam seus salários e mordomias. Vem por aí o apagão elétrico, a inflação acordou e ninguém, absolutamente ninguém, assume nada. Nem a tal base, nem a tal oposição. Nossos homens públicos são assim, ruins por baixo, piores por cima! Que venham as eleições para prefeitos e vereadores e que Deus nos ajude. ALEXANDRE HENRIQUE LEONEL é farmacêutico e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca

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