35 dias. 6 idas ao INSS. Nenhuma resposta


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Até três anos atrás, Euripa da Silva, 41, trabalhava numa fábrica como sapateira e ajudava no sustento da família com os R$ 450 que recebia. No dia 25 de março de 2005, foi atropelada por uma moto enquanto estava na calçada, no Jardim Aeroporto III, onde mora. Com a batida, o fêmur, principal osso da perna, partiu ao meio. Sem condições de trabalhar, Euripa conseguiu aliviar os gastos de sua casa com o pagamento de R$ 428 do auxílio doença pelo INSS (Instituto Nacional da Seguridade Social). Mas o último benefício foi pago em outubro de 2007. Desde então, conseguir a continuidade do pagamento se tornou um martírio. Euripa fez três perícias seguidas e, só nos últimos 35 dias, passou pela agência de Franca por seis vezes, mas não sabe o resultado dos exames e se terá direito a continuar recebendo o dinheiro do governo. A “maratona” em busca de respostas começou no dia 5 de dezembro de 2007. Nesta data, a segurada passou por perícia médica e foi informada de que em dez dias receberia uma carta em casa com o resultado. Sem o envio da correspondência, voltou à agência. No local, foi informada que o computador estava com problema e não seria possível consultar a perícia. Euripa teve de passar por nova consulta no dia 20 de dezembro. Novamente, seria comunicada da resposta por carta dentro de dez dias. O comunicado não chegou. Mais uma vez, ela esteve no INSS e, para sua surpresa, nada havia mudado. O computador continuava desregulado e ela teria de fazer outra perícia, a terceira delas no intervalo de um mês. Dia 30, foi consultada de novo. Ainda assim, continuou sem resposta. Na última sexta-feira, 4, o marido, com procuração, esteve no posto do INSS para saber o que estava acontecendo e os funcionários pediram para Euripa voltar à agência na segunda-feira, 7. O casal foi ao local, mais uma “viagem” em vão. Euripa precisou se apresentar na terça-feira, 8, novamente. Como voltou para casa pela sexta vez sem resultado algum, decidiu procurar a imprensa em busca de respostas. “Faz quase três meses que não recebo um ‘tostão’. Se dependesse do INSS para viver, estaria passando fome. Trabalhei a vida toda e só parei porque não posso mesmo”, disse a sapateira. Para ela, voltar à agência para refazer as perícias foi um sacrifício. No acidente, Euripa fraturou a perna esquerda, fez duas cirurgias e anda de muletas para não perder o equilíbrio. Detalhe: ela mora no Aeroporto III e não tinha dinheiro para pagar táxi. Foi de ônibus. “Ela não consegue subir sozinha no ônibus. Além disso, nos exames, apertam muito a perna dela e depois fica dolorido”, disse o marido Carlos Ribeiro, 39. O dinheiro faz falta para a família. Euripa mora com o marido, que está desempregado, e dois filhos, de 20 e 18 anos. Todos são sapateiros. Apenas a filha tem emprego fixo. O filho de 20 anos ficou desempregado há um mês. A ex-sapateira e o marido pespontam em casa para garantir as refeições e pagamentos das contas. “Com o salário da minha filha, temos conseguido cerca de R$ 900 por mês, que usamos para pagar contas”. Euripa não questiona o direito de receber ou não o auxílio, mas a falta de resposta do INSS. “Preciso resolver essa situação. Se pelo menos me respondessem se receberei ou não, porque assim posso tomar outras providências e até recorrer. Só quero saber o que vai acontecer”. A gerente do INSS de Franca, Célia Visconde, admitiu que houve falha médica e por isso a segurada precisou ser convocada para três perícias. Os benefícios atrasados e referente aos próximos meses deverão ser pagos dentro de três semanas.

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