Máquina do tempo


| Tempo de leitura: 2 min
Em fórum de discussão na Internet, um tópico aguçava a curiosidade dos internautas: “Vende-se uma máquina do tempo”. O tema proposto rendeu interatividades que mexeram com a imaginação dos participantes. Que bom seria viajar no tempo, conhecer lugares, influenciar a história mudando seu curso. Tal situação me fez recordar o caso do “misterioso” Andrew Carlssin, um investidor de Wall Street que ficou milionário alegando ser “viajante do tempo” e que, na sua “máquina do tempo” viajou para o passado onde, conhecedor da história, realizou bons investimentos e obteve extraordinários lucros. Suspeito de praticar golpes financeiros, foi preso. Se propôs a revelar dados históricos sobre a cura da AIDS e a verdadeira localização de Osama Bin Laden, tentando fazer com que acreditassem na sua história. Em nenhum momento, no entanto, revelou o esconderijo de sua “máquina do tempo”. De volta à República Tupiniquim fiquei pensando sobre o que uma “máquina do tempo” podia facilitar a vida de alguns dos nossos ‘adoráveis’ políticos. Quem se lembra do presidente da República, em tom de gozação se referir publicamente a uma cidade do Sul como sendo exportadora de “viados”? Retornando no tempo, teria sua Excelência oportunidade de mudar o comentário dizendo ‘que tal cidade é terra de macho que bebe chá amargo, tchê!’. Desfazeria, certamente, parte do constrangimento. No caso da derrota do governo na prorrogação da CPMF, o ministro da Fazenda e os articuladores-políticos fariam uso da ‘máquina ’, voltariam minutos antes da votação e proporiam alguns “mimos” a mais àqueles “votos” contrários... Renan Calheiros pediria a “máquina” emprestada e voltaria ao passado recusando-se então a ser seduzido pela linda mulher que principiou sua queda, desencadeando seu “inferno astral”. Já a ministra que aconselhou o ‘relaxa e goza’ aos passageiros que enfrentavam o caos nos aeroportos, retornaria segundos antes da sua infeliz declaração – poderia mudar para ‘relaxa e ora’ –, tentando oferecer apoio psicológico que, mesclado à fé, faria com que os vôos transcorressem mais “tranqüilos” e as pessoas se sentissem um pouco melhor... Aqui na província não seria diferente. As filas para a “máquina” seriam longas. Representantes constituídos tentariam apagar os fatos que fazem a população concluir a triste incapacidade gerada pela falta de preparação ética e moral para o exercício da vereança; outros evitariam condutas impróprias não chutando coisas, mas optando pelo bom e saudável diálogo racional, o que poderia evitar ainda proferir ofensas públicas contra seu povo. Se a tal “máquina do tempo” existe, ela continua sendo um segredo muito bem guardado. No momento, aos que desejam intervir no passado para corrigir os erros, o único meio disponível pela busca de acertos é a partir do ‘agora’. Daqui a pouco, o momento solene do “agora”, já será “passado”. RICARDO VERÍSSIMO JÚNIOR é funcionário público e integra o Conselho de Leitores do Comércio da Franca.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários