A Lei de Gerson


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Na década de 70 o novo cigarro Vila Rica era lançado, e ganhou uma notoriedade não tanto positiva, que até hoje perdura como bordão dos mais velhos. Em um comercial deste cigarro, o jogador de futebol Gerson aparecia como garoto propaganda e ao final do texto dizia ‘... Afinal, eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?’. A campanha foi baseada na premissa que o brasileiro gosta de levar vantagem em tudo. Era criada a famigerada ‘Lei de Gerson’. Muito se discute sobre a ética desta afirmação, afinal é politicamente incorreto (ou seria impoliticamente correto?) pregar o ato de levar vantagem em cima de outrem. Vivemos no Brasil a filosofia do malandro, em que saber ‘tirar vantagens’ é louvável, sinônimo de maior inteligência e esperteza. Na Câmara municipal de Franca, a ‘Lei de Gerson’ tem outro nome. É tratada como crime de concussão e quebra de decoro parlamentar. A Comissão de Ética dessa Casa instaurou processo para apurar a acusação feita pelo Ministério Público contra o vereador Marcelo Mambrini (PMN). O ex-policial foi denunciado por pegar para si R$ 800 mensais do salário de sua ex-assessora, Lara Cristina Rodrigues, por mais de um ano. O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro, exibiu um vídeo que comprovaria a existência da partilha. Pelo menos outros três vereadores têm ações semelhantes. Nesses casos, não se produziram, ainda, provas. É preciso que tudo seja esclarecido bem rápido, sem pizza pelo caminho. A idéia central é: se todo mundo leva vantagem sobre alguma coisa, por que não posso levar? Isso é tão nítido em nossa sociedade, que assistimos declarações como ‘eu roubo, mas faço’, em que a idéia de roubar é banalizada frente à ‘eficácia’ administrativa. Daí tem os exemplos mais típicos de ‘malandragens permitidas’, é o ‘gato’ da luz, o ‘gato’ da televisão a cabo, uma furada de fila aqui, uma estacionada em vaga reservada ali, uma lata de cerveja jogada pela janela do carro, um sinal vermelho, enfim, atitudes que não fazem mal a ninguém. Será que não? São pequenas coisas do cotidiano que fazem de nós, seres comprometidos com a ética e com a boa educação. O que falta em Franca e no Brasil é uma concepção de ‘responsabilidade coletiva’, em que todos tomem consciência dos reflexos dos seus atos, e percebam que se cada um fizer a sua parte as coisas tendem a melhorar. Entretanto, para que isso ocorra, a população tem que parar de ser lesada de forma sistemática, estancando assim a reprodução dos direitos negados e deveres não cumpridos aos quais estamos cansados de conviver, e nesse caso seria bom se pudéssemos contar com o exemplo dos nossos representantes. PRAÇA DOS MENDIGOS Só faltava essa! Não bastasse o descaso de nossas autoridades com relação à Praça Sabino Loureiro, agora os mendigos resolveram adotá-la. Vieram em bando, juntando-se aos pombos e emporcalhando um pouco mais a tradicional Praça da Estação, de tantas e tantas histórias e de um passado glorioso. Os mendigos correm atrás das pessoas que desembarcam no terminal da Viação Cometa, perturbam clientes bancários que usam as agências da Caixa e do Banco do Brasil, fazem suas necessidades nas calçadas e bancos da praça e espalham o terror entre moradores das proximidades. O Tenente Sérgio Buranelli, chefe da Guarda Municipal, disse que nada pode fazer para resolver esse problema. Oras, e a Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social também não pode fazer nada? Em qualquer outra cidade esses mendigos seriam recolhidos e mandados de volta para a cidade natal, mas aqui em Franca, deitam e rolam. O povo está cansado de tanta omissão. Vergonhoso! MEIO DE VIDA Em Franca são muitas as reclamações de donas-de-casa, sobre uma gangue de ‘empregadas domésticas’, que, travestidas de serviçais, vêm enganando as empregadoras. Permanecem alguns dias no emprego, abandonam e de repente movem ações trabalhistas patrocinadas por certos ‘advogados’. O problema se alastra e atinge diversas famílias, que, devido aos absurdos reivindicados, não encontram outra saída a não ser o parcelamento dos montantes Aplicado o golpe, essas ‘domésticas’ partem para cima de outros incautos, conseguindo os mesmos objetivos. A Justiça do Trabalho precisa ficar de olho. AGORA É O CARNAVAL Como perguntar não ofende, por que será que até para o carnaval tem que haver financiamento público? Os que se intitulam responsáveis pela realização de desfiles e outros babados mais, passam o ano inteiro sem a menor criatividade para arrecadar dinheiro, ficam sempre na espera de verbas oficiais. Franca não é uma cidade turística em que possa haver compensação do custo/benefício. O carnaval de Franca sempre foi um fracasso, exatamente em decorrência da falta de dirigentes criativos que não fiquem apenas na expectativa do quanto vai sair da Prefeitura. Que partam para realização de eventos lucrativos, livros de ouro, patrocínio empresarial, enfim, de mecanismos que propiciem um carnaval de verdade e não apenas o carnaval fraco de todos os anos. Inovar, ousar e criar, acima de tudo, é preciso. NEGATIVO O leitor João Cadorim aciona a coluna para denunciar que está horrorizado com a audácia dos ladrões que continuam agindo no Cemitério da Saudade. Diz o leitor que estão roubando vasos, crucifixos, letreiros de bronze, enfim, só faltam roubar os corpos, relata. Comenta o leitor que os assaltos e atos de vandalismo estão ocorrendo à noite e também durante o dia. Que coisa! POSITIVO Neste ano haverá eleições. Os milagres começam a aparecer em Franca. As obras no Córrego dos Bagres serão retomadas, a Saúde receberá atenção especial, canais, creches, escolas serão inaugurados e a Praça da Estação...

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