Academia tinha licença para ser pet-shop


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MALHAÇÃO SUSPENSA - Policiais da Dise fizeram buscas na academia, ontem, e lacraram o estabelecimento: segundo Vigilância Sanitária, não havia alvará de funcionamento
MALHAÇÃO SUSPENSA - Policiais da Dise fizeram buscas na academia, ontem, e lacraram o estabelecimento: segundo Vigilância Sanitária, não havia alvará de funcionamento
O slogan do cartão de apresentação da academia demonstra uma suposta preocupação do proprietário com os alunos: “Sua Saúde em 1º Lugar”. Não foi exatamente o que a polícia encontrou no local. Durante uma batida realizada no estabelecimento localizado na Vila Scarabucci, na manhã de ontem, investigadores encontraram anabolizantes e medicamentos exclusivos para consumo animal. Também havia formulários de receita em branco e carimbos com nome de falsos médicos. O responsável foi preso em flagrante e a academia, que tinha só uma aluna na hora da batida, foi lacrada. No fim da manhã, policiais da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) foram até a academia “Profight”, pois receberam denúncias anônimas de que estava havendo venda de drogas no local. Encontraram algo tão grave quanto. Em uma sala anexa - uma espécie de consultório com maca - havia diversas caixas de anabolizantes, cuja venda só é permitida com apresentação e retenção de receita médica. Também havia três frascos de esteróide injetável exclusivo para cavalos de competição, medicamentos para aumento de massa muscular de cães, sete seringas e plásticos com resquícios de cocaína. “Estes medicamentos são usados para fortalecimento muscular e causam desequilíbrio hormonal, hipertensão, comprometimento renal e prostático, podendo, inclusive, levar à morte”, explicou o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira. Não foi só. Os policiais também apreenderam dois formulários de receitas em branco e três carimbos de supostos médicos. Após consulta no CRM (Conselho Regional de Medicina), constatou-se que dois dos números existiam, mas os nomes eram de outros profissionais que atuam em diferentes áreas do Estado. O terceiro nome é de um médico de Franca, que não saberia do esquema. “A suspeita é de que o proprietário usasse os materiais falsos para comprar os medicamentos e injetar nos seus alunos. Por enquanto, não conseguimos comprovar este crime, mas as investigações continuam e podem ter novos desdobramentos”, afirmou o delegado Sidnei Martins de Oliveira. O dono da academia, Flávio Bueno Vilela Corrêa, 22, negou injetar anabolizantes nos alunos e alegou que os medicamentos eram para seu consumo próprio. “Eu consumo este material para vigor físico, para ganho de massa muscular, essas coisas. Nunca vendi para alunos. Se tomar em quantidade certa, não prejudica tanto”. Sobre os formulários e carimbos falsos, alegou que dois conhecidos haviam pedido para ele guardar por alguns dias. Segundo a Vigilância Sanitária, a academia foi fechada por falta de alvará de funcionamento. Tinha licença para funcionar apenas como pet-shop. O proprietário foi autuado em flagrante por ter em depósito substâncias nocivas à saúde pública. Pagou uma fiança de R$ 800 e foi liberado no período da noite. “Ele continua sendo investigado e pode responder por crimes ainda mais graves”, lembrou o delegado Sidnei.

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