Em Franca expansão


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Fábricas de massas, refrigerante, chocolate, café, buchas, aviões, sabão e sabonete, lingerie, móveis e cosméticos. Pode ser difícil de imaginar, mas esses produtos também fazem parte do parque industrial de Franca. Longe da cadeia calçadista, eles fazem sucesso, começam a despontar no cenário econômico da cidade e passam a ser uma alternativa para a economia local. Na Prefeitura, não há dados exatos de quantos ramos de atividade existem na cidade e quanto arrecadam anualmente. Já informações do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef dão conta que elas representam 7% do total de indústrias. Os outros 93% estariam ligados à cadeia coureiro-calçadista. Estima-se que em Franca existam 5471 fábricas. Deste montante, 383 seriam empresas que sobrevivem longe do principal setor da economia francana. Segundo o economista e também diretor do Ipes, Hélio Braga Filho, a diversidade industrial em Franca começou a surgir no início da década de 90, por intermédio dos próprios empresários que viram em novos setores alternativas viáveis para fugir da crise calçadista. “As pessoas passaram a não querer mais depender do calçado e criaram novas oportunidades de renda. Foi preciso apenas acreditar e investir”. Braga diz que atualmente quatro setores representam a diversidade industrial e todos têm potenciais para expandir, gerar impostos, criar novos postos de trabalho e atrair mais empresas da área. O primeiro setor seria o de alimentos e bebidas, com destaque para a Fors Refrigerante, as Massas Daiana, os cafés Terreiro e Pepe e as fábricas de doces e chocolates, como Cookies e Desejo & Sabor. Em seguida, aparecem o setor de construção civil, com suas construtoras, fábricas de pré-moldados e blocos, e o setor moveleiro. De acordo com relatório do Ipes, apenas nesta segunda área são 42 fábricas de móveis com predominância em madeira, como a Jafer Armários e Cozinhas, que resolveu apostar em Franca há dez anos e hoje conquista clientes em Franca, região, capital paulista e sul de Minas Gerais. Tido como principal aposta para os próximos anos, outro setor que tem se fortalecido na cidade é o da moda, em especial a confecção de lingerie. O crescimento é tanto que, em dezembro passado, foi estruturada a Coofal (Cooperativa dos Fabricantes de Lingerie) de Franca com 110 fabricantes cadastrados, sendo 20 cooperados. “São todos pequenos fabricantes que ainda trabalham em casa, apenas com a família e três ou quatro funcionários. Mas, juntos, eles já empregam em média 500 pessoas diretamente e produzem 33 mil peças mensais”, explicou Otávio Pinheiro, agente de crédito do Banco do Povo e um dos incentivadores da cooperativa. Há também na cidade oito empresas de maior porte no setor, entre elas a Larulp, fundada há três anos e com uma produção de 15 mil peças/mês. SANTO DE CASA Para Marcos Vinícius Kirsch de Carvalho, 27, diretor de marketing da MSA Kosmetic/Varcare, que produz produtos exclusivos para profissionais de beleza, é possível fazer sucesso longe do calçado em Franca, apesar da desconfiança e da falta de apoio. “As pessoas ficam com uma certa desconfiança sobre a qualidade do produto. Muita gente não acredita por ser de Franca e não ser o foco da indústria local. É aquele ditado de que santo de casa não faz milagre, mas temos nos destacado bastante no Nordeste e também no Paraná”. Elizângela Ferreira, uma das proprietárias da Jafer Armários e Cozinhas, também defende a diversificação da produção industrial em Franca e dá a dica para os novos empresários. “Se o calçado está ruim, em crise, é preciso apostar em outros setores, acreditar. As pessoas vão muito em Ribeirão Preto atrás de produtos que não encontram aqui, está na hora de atrair isso para Franca”.

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