O maior sonho do pedreiro Francisco Domingos da Cunha, 60, de Ibiraci (MG), é comprar um barco de pesca para se divertir nos fins de semana. Um sonho que custa, em média, R$ 3,3 mil.
Desempregado há mais de três anos e vivendo apenas de “bicos”, Cunha não vê meios de realizar seu desejo. Mas ele teve uma chance. No último sábado, enquanto caminhava pela Rua Valdomiro Magalhães, no Bairro do Rosário, ele se deparou com uma sacola caída no chão. Curioso, foi ver o que tinha dentro. Levou um susto: eram mais de R$ 10 mil em dinheiro “vivo” e em cheques.
Tinha ainda documentos e cartões de crédito. Com o dinheiro, ele poderia comprar três barcos e ainda sobraria para os artigos de pesca. Poderia. Mas não foi o que o pedreiro fez. Francisco Cunha decidiu devolver a sacola para o dono - um francano - com tudo o que tinha dentro.
O pedreiro não soube precisar qual a quantia que estava dentro da sacola. “O dono que me falou que tinha mais de R$ 10 mil. Eu vi que tinha R$ 600, mas nem fiquei mexendo”, disse sem demonstrar arrependimento. “Na verdade, eu fiquei desesperado para achar o proprietário logo e devolver tudo. Não queria ficar com nada”.
O pedreiro conta que acordou cedo no sábado, 5, e por volta das 7h30 foi ao mercadinho da esquina para comprar café. Perto de casa, viu a sacola na calçada da rua, próximo a um orelhão. “Quando vi que tinha dinheiro dentro tratei logo de ir para casa para ver o que eu ia fazer. Mesmo tendo apenas R$ 5 no bolso, em nenhum momento pensei em ficar com o dinheiro”, disse.
Ao analisar os documentos dentro da sacola, o pedreiro descobriu que o dono era de Franca. E resolveu ligar para um telefone anotado em um papel. Sem telefone em casa, Cunha pediu que uma das filhas fosse até o orelhão fazer a ligação. “Foi a mulher dele que atendeu e nem estava sabendo que ele tinha perdido tudo. Então passei o meu endereço e fiquei esperando ele buscar”, afirmou o pedreiro.
O francano, que trabalha como encarregado de setor em uma fábrica de calçado, que naquela altura já estava desesperado, nem acreditou que conseguiria resgatar todo o dinheiro e os documentos. O sortudo, que pediu para não ser identificado, já tinha registrado Boletim de Ocorrência. “Eu estava indo para o rancho e parei em um supermercado para comprar carne e cerveja.
Quando fui guardar as compras na caminhonete, tirei a bolsa que estava na parte traseira e coloquei em cima do carro. Esqueci e fui embora, só depois percebi que tinha perdido tudo”, afirmou.
Colaborou Guilherme Moraes
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