Nas escolas de dança e academias de Franca tem aumentado o número de mulheres que se interessam pelas aulas de dança do ventre. Entre as praticantes encontramos meninas, adolescentes, mulheres adultas, magras e gordas, de diferentes religiões e raças. Algumas mulheres têm a dança do ventre como um hobby, enquanto outras a escolheram como profissão.
Nádia Chagas Jardini, 48 anos, escolheu a dança do ventre como profissão e dá aulas há mais de cinco anos. Da paixão pela dança decidiu, em parceria com a Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura), ensinar dança do ventre para meninas acima de 14 anos.
Um curso gratuito, que tem por objetivo oferecer às alunas, entre elas aquelas que não têm condições de pagar, a oportunidade de aprender essa arte milenar.
As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até o dia 31 de janeiro. As aulas terão início no dia 12 de fevereiro e serão ministradas todas as terças e quintas das 14h30 às 16h30, no espaço Feac, localizado na Rua Campos Salles, 2210. O curso encerra-se no dia 6 de março. Para se inscrever, basta comparecer até a Feac e preencher a ficha de inscrição. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone 3723-6377.
Além de praticarem a dança, as alunas também aprenderão dia a dia tudo sobre a história dessa forma de arte. A professora Nádia disse que o curso, além de despertar na mulher o conhecimento de si mesma, também contribui para a correção da postura e como exercício físico para todo o corpo. “Dança do ventre é uma prática fabulosa”.
Para Wagner Voss, 60, coordenador do curso, o que a Feac oferecerá é mais uma expressão cultural. “O objetivo da instituição é justamente trabalhar com várias atividades de arte, não só uma, tem que diversificar”.
HISTÓRIA
A dança do ventre teve origem entre os povos da região da Turquia. Tinha significado religioso e trazia em sua estrutura uma mistura de improviso, criatividade e ritmo. Todos os movimentos do corpo durante a dança têm um significado. O dos quadris é destacado, simboliza a capacidade da mulher de gerar e dar à luz uma outra vida e imita as contrações do parto. O ballet clássico também influenciou esta dança. Foi em 1798 que a dança do ventre adquiriu o formato mais aproximado do atual.
Cada variação da dança é acompanhada de um objeto diferente. Na dança da espada, a bailarina tem que equilibrar o objeto em várias partes do corpo. Com o punhal, o desafio é conseguir causar no público um clima de mistério e suspense. A mais popular é a dança com o véu, de origem ocidental. Outra variação é a dança da cobra, quase um ato circense.
Outros objetos também são utilizados, como o candelabro e o khaleege ou soudi, uma espécie de bata longa que simboliza a união familiar. As taças e velas representam alegria e festividade.
No Brasil a dança do ventre é recente. Tem características bastante sensuais e variadas. Com a novela O Clone, exibida na Rede Globo em 2001, a dança do ventre tomou maior impulso. Ela popularizou a dança mostrando com autenticidade a arte milenar e abordando os aspectos culturais e técnicos.
O “efeito Clone” fez crescer a prática por este ritmo no País. Atualmente, Brasil e Estados Unidos, são os países com maior número de praticantes da dança do ventre no mundo.
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