M illôr Fernandes: “réveillon é o intervalo invisível, inaudível. Tordesilhas de nossas vidas, linha nem sequer imaginária. Um gesto de carinho, um copo erguido; o beijo e o abraço do afeto, o cálice da saudação” (Millôr Fernandes). De fato, réveillon é isso, veio e se foi mas seu conceito deveria durar muito mais.
A vida possui ciclos. Na natureza, 4 estações. O conceito de réveillon também deveria ser o de balanço, análise aprofundada do que se foi. Situações de queda precisam ser encaradas como crescimento (podas). Situações de felicidade como o céu na terra (primavera) e as situações entre as quedas e os soerguimentos como situações transitórias (verão e inverno).
A natureza é sábia e nos ensina que para sobreviver às mutações climáticas é necessário entender que o belo surge do feio. Ou será que a beleza e a feiúra têm o mesmo significado e apenas variam de acordo com as pessoas que as avaliam?
Este ano promete. Já começaram os preparativos para o carnaval (4, 5 e 6 de fevereiro). Depois vêm o feriado da Paixão de Cristo (21 de março), Tiradentes, em 21 de abril; Dia do Trabalho em 1º de maio; Corpus Christi, 22 de maio; 7 de setembro, Independência do Brasil; 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida; 27 de outubro, Dia do Servidor Público; Finados em 2 de novembro; Proclamação da República em 15 de novembro; Natal, 25 de dezembro e Ano Novo, de novo.
Nem levei em consideração os feriados estaduais e municipais. E mais: some-se aí a Campanha Eleitoral. Ano bissexto – há mais um dia em fevereiro – e político, meus caros leitores. Haja coração. Haja sabedoria. Mais uma razão para fazer o tal feed back, o que audaciosamente acertamos ou não.
Pensar nas metas e na forma de atingi-las é mais do que importante. Praticando, aliás, as coisas do réveillon; analisando os augúrios, traço-me as coisas boas que me desejaram e que desejei e que farão, se todos os que fomos – certamente – alvos dos mesmos augúrios, a forma com que vamos enfrentar o que vem por aí: alcançar vitórias pessoais e profissionais; amar mais, doar mais, compreender as limitações e aprender a superá-las; ter objetivos lícitos e voltados para o social, o bem comum.
Seria genial se o réveillon continuasse dentro de cada um, impingindo-nos compromissar com aqueles que vivem em situação de miséria e não mais continuar achando que vivem na miséria porque querem. Seria muito bom se o nosso réveillon interno nos cobrasse agir diferente, escolhendo os novos representantes da forma que ainda não fizemos: com seriedade e capacidade de análise, se tão curta não fosse nossa memória.
Tenho vivenciado essa máxima: “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus”. Independente da crença religiosa que eu e você professamos, ainda que seja um ateu, significa que tudo dará certo se o seu coração estiver voltado para o bem. O Brasil será sempre o País do Futuro se não mantivermos vivo dentro de nós o réveillon e sua significância: analisar e praticar o melhor, todos os dias.
Franca é a melhor cidade para viver, mas o é porque eu faço a minha parte. Você faz a sua? O Comércio da Franca é o jornal que todo mundo lê e então precisa continuar realizando o seu trabalho com o rigor de competência e de ética que lhe são peculiares mas sem deixar de pensar em mudanças que sejam do agrado de seu leitor. Não haverá tempo melhor para começar a fazer diferença do que agora. Mantenha vivo o conceito de réveillon em seu íntimo. Haverá você antes e depois desta linha imaginária. Você, melhor hoje do que foi ontem.
ACIR DE MATOS GOMES é advogado, corretor de imóveis, adesguiano e palestrante.
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