Evoé à arte


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Em meu tempo de escola, discutimos muito sobre saraus. Lembro-me uma vez em que até respondi uma questão sobre o tema, retratando o divertimento da burguesia a partir do século XVIII, que os promovia com o objetivo de dividir poesia, conversa e bebidas. O significado oferecido pelo Houaiss se assemelha. O verbete se desvenda como ‘reunião festiva, geralmente noturna, para ouvir música, conversar, dançar’. Entende-se que, apesar da variada gama de possibilidades que o sarau podia ensejar, sua contribuição para o fortalecimento da troca literária é a mais representativa. Ao longo dos tempos, o sarau tem se modificado, para acompanhar a velocidade com que os homens vivem. Franca teve um desses, no sábado, dia 5, organizado pela Cia. ‘Alguém Precisa Lavar os Pratos’, e concentrou manifestações artísticas como dança, teatro e música. As conversas e os ‘comes e bebes’ não foram dispensados. Chamado de ‘Ante Tudo: Evoé’, dedicou-se à arte francana. Estive presente e inclusive me apresentei ao público, coisa que não fazia há mais de um ano. E olha, posso garantir que o evento serviu cultura a quem esteve presente, na forma de vários e interessantes textos interpretados de muitas formas diferentes, cada leitor em seu estilo. As expectativas da organização foram superadas. O evento foi prestigiado e aplaudido. As pessoas, ao que parece - saíram satisfeitas. Foram embora com o gostinho de “quero mais”. “Quando vai acontecer o próximo”. Não me disseram, mas espero que seja em breve e que sejam muitos. O espaço escolhido foi o Andaluz, coordenado pelo professor de dança flamenca Wanderson Souza. A casa, ambiente refinado de inúmeras possibilidades está situada no Centro e três de suas salas acomodaram o público. As apresentações começaram com manifestação artística de bailarinos e atores. Eles acolheram as pessoas que chegavam e se acomodavam com frases fortes retiradas de textos de Caio Fernando Abreu, o autor mais representado da noite. Durante quase três horas de arte, muitos estilos foram mostrados: músicas brasileiras e conhecidas, adoradas pelos presentes... Coreografias contemporâneas, intimistas, silenciosas; trechos teatrais engraçados, dramáticos e especiais. Lembraram-se até de Paulo Autran. A homenagem foi feita por Daniel Nascimento e Wisney Soares, que encenaram de forma magnífica a cômica cena do autor em que ele joga comida em Fernanda Montenegro na novela “Guerra dos Sexos”. Comédia! Comédia! O registro está feito para que as pessoas saibam do que aconteceu, para que os participantes tenham lembranças concretas, e que os políticos francanos saibam que existem pessoas que fazem algo pela arte, por si só. A isto eu grito: Evoé!, como saudavam ao deus Baco, na mitologia grega. RAFAEL AUGUSTO é licenciado em Letras e repórter do Clubinho do Comércio da Franca

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