Mal 2008 chegou e as donas de casa já levaram um susto ao fazerem a feira. “No fim de ano a gente sabe que aumenta por causa da época (de festas). Mas nesse sábado pensei que estaria bem mais barato. Achei excepcionalmente caro”, disse a consumidora Maria Regina Di Maio.
Maria Regina diz que o que mais a assustou foi o chuchu. “Já cheguei a pagar R$ 0,50 e estava R$ 2,50. A vagem também estava absurdamente cara. Estava a R$ 3,90 enquanto a gente pagava entre R$ 1,50 e R$ 2”. A dona de casa acrescenta ainda o alface, couve-flor e frutas, como morango, na lista dos produtos que estão “salgados” nesta época do ano. Apesar da surpresa, Maria Regina diz que já está acostumada com as justificativas dadas para a alta de preços. “Eles sempre têm uma desculpa. É porque choveu demais, porque não choveu, tem muito sol, não teve sol, eles sempre arrumam uma desculpa para justificar o preço”.
A melhor alternativa para driblar estes preços, pondera Maria Regina, é substituir os produtos por outros. “Tem que substituir.
Algumas verduras estão mais caras que o frango. Enquanto as pessoas não deixarem de comprar, eles não vão abaixar. Nós temos que parar de comprar para eles sentirem na pele”.
José Luiz Ferracioli, dono de dois varejões na cidade, disse que os fregueses estão sempre atentos aos preços e a primeira atitude é mesmo parar de comprar. “Eles notam a diferença sim. A maioria deles substitui. Tem alguns que não abrem mão, mas a maioria pára de comprar. O tomate, por exemplo, como aumentou demais, a gente nota que a venda caiu bastante. Se eu comprava 40 caixas na semana, estou comprando 20”.
E, de fato, os preços de alguns produtos aumentaram consideravelmente. O Comércio da Franca fez uma pesquisa informal em supermercados e varejões de seis cidades da região (Franca, Cristais Paulista, Ribeirão Corrente, Restinga, Pedregulho e Rifaina) e constatou que o aumento pode chegar a até 320%, como no caso da manga, que, há um mês, era encontrada por R$ 0,30 o quilo e hoje está em R$ 1,26. A variação, no entanto, foi notada em apenas um estabelecimento.
Entre os produtos que tiveram variação em mais de um local, o tomate ganha disparado. Em média, o preço do fruto utilizada na salada teve uma alta de 63,25%. Em Franca, por exemplo, o preço do quilo do tomate em Franca era encontrado por até R$ 0,99 antes das festas de final de ano. Ontem, o mesmo produto era encontrado por até R$ 2,49.
A explicação do alta, de acordo com o gerente do Ceasa, Gilvani Dominici, é a distância entre os maiores centros produtores e a região. “Cai a produção aqui na região, aí o pessoal tem que trazer a produção de longe. Além de se plantar pouco por aqui, não é época de colheita. Pelo frete, o que antes era vendido por R$ 20 hoje está de R$ 35 a R$ 40 a caixa”.
A cebola também é apontada pelo gerente do Ceasa como um dos produtos que tiveram alta. “A cebola também teve um aumento. Subiu em torno de R$ 10 o saco. Ela estava a R$ 15, R$ 12, e agora está em R$ 25”.
Gilvani, no entanto, tem uma boa notícia para Maria Regina. Pelo menos a vagem, que a dona de casa disse estar absurdamente cara, tem apresentado queda. “O que teve uma queda significativa foi a vagem. Ela chegou a ser vendida por até R$ 70 a caixa. Hoje está vendida a R$ 20”. A queda já foi notada na pesquisa do Comércio, com uma média de 41,6%. Em Ribeirão Corrente, por exemplo, o quilo do produto custava R$ 7,50 antes do Natal e ontem já era encontrado por R$ 3. Já em Franca, o preço caiu de R$ 6,90 para R$ 4,98 o quilo.
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