Mendigos transformaram o prédio da antiga Mogiana, na Estação, em moradia. Cerca de 20 pessoas estão vivendo aglomeradas no espaço, na Avenida Integração Vereador Bernardino Pucci, e, na companhia de um cachorro branco, dormem sobre os bancos e papelões no chão, urinam e evacuam no chão, se alimentam e fazem “farra” no local.
Pessoas que trabalham no imóvel ou moram em suas proximidades estão insatisfeitas com a presença do grupo e reclamam do mau cheiro, vandalismo e prejuízos sofridos com os pedidos de esmola.
A situação já dura pelo menos oito meses. Esse é o tempo que Willians Barros, 31, auxiliar de agência, trabalha no posto da Viação Cometa da Estação, que funciona no prédio da antiga estação de trem. “Quando cheguei, eles já viviam aqui. Eles provocam muita sujeira, o cheiro é insuportável, eles bebem dia e noite e brigam. Já até quebraram os vidros das portas da empresa”, disse o funcionário. “Precisamos de uma solução”.
O taxista Mauro Teixeira, 59, teve prejuízos no serviço devido à presença dos mendigos. “Perdemos os fregueses para as corridas. Os passageiros da Cometa não descem mais aqui na Estação com receio de serem abordados pelos mendigos, que ficam pedindo dinheiro. Eles vão em todo mundo, acompanham até quem vai aos caixas eletrônicos. É um perigo”.
Mauro disse estar cansado de tentar soluções para o problema. “Já reclamamos várias vezes. Ligamos, a polícia vem aqui, tira eles e dali cinco minutos já estão de volta. São pessoas novas, com saúde e que podem trabalhar. Não precisavam estar na rua. Tem quase 20 pessoas ali”.
Na tarde da última quarta-feira, havia quatro homens e uma mulher no local. Na quinta-feira, 3, pela manhã, quatro homens estavam na área, quatro deles dormindo sobre papelões embaixo dos bancos.
Durante o dia, o movimento é menor. Eles costumam sair para pedir dinheiro e comida na vizinhança e retornam à noite para dormir.
Na turma, um jovem que se identificou apenas como Lucas, 20, disse que se tornou morador de rua há um ano. “Saí de casa por causa do vício em bebida (alcoólica). Vivo na rua. Cada dia durmo num lugar. Aqui (na Estação), na praça, em postos”. Lucas disse que o grupo que mora na Mogiana é formado por parentes e amigos, todos que brigaram com a família ou perderam os parentes e são alcoólatras.
Lucas e os companheiros já estiveram no Abrigo Provisório, mas preferem ficar na região central da cidade para conseguirem mais doações. “O Abrigo é muito longe, afastado de tudo. Eles (os amigos) querem pedir esmola e lá não conseguem. Eles gostam de movimento para ganhar dinheiro, ter mercado perto. Aqui as pessoas ajudam. No Natal nem conseguimos dormir com tanta gente que veio doar as coisas”.
As autoridades responsáveis pelo Abrigo Provisório para onde os mendigos poderiam ser levados, Guarda Municipal e Polícia Militar ficam de mãos atadas e pouco podem fazer para solucionar o problema.
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