Quinta-feira, 3 de janeiro, 10 horas da manhã. Quatro homens estavam reunidos na calçada do prédio da antiga estação de trem. Três deles dormiam sobre papelões e um chegou depois. Dois não quiseram dar entrevistas. CRS, 42, aceitou falar. Visivelmente alcoolizado, falou de sua vida.
Comércio da Franca - Vocês moram aqui há quanto tempo?
CRS - Eu, aqui? Quatro meses.
Comércio - O senhor veio de onde?
CRS- Sou daqui.
Comércio - E antes de morar aqui o senhor vivia onde?
CRS- Fui internado em Uberlândia. Fiquei seis meses internado. Voltei.
Comércio - O senhor ficou internado por quê?
CRS- Alcoólatra. Por causa de bebida (pinga).
Comércio - O senhor tinha casa para ficar em Franca?
CRS- Não.
Comércio - Como vocês têm feito com alimentação, banho e para dormir?
CRS- Ah, comer nós pede nas casas (sic).
Comércio - E o banho?
CRS- Ah, meio difícil.
Comércio - O senhor não toma banho faz quanto tempo?
CRS- Ah, faz um mês.
Comércio - A Prefeitura já procurou vocês para ir para o Abrigo?
CRS- Ah, foi.
Comércio - E por quê o senhor não foi?
CRS- Fiquei lá um mês, depois não quis.
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