Usina de Jaguara: um marco da ação humana na região


| Tempo de leitura: 2 min
FORÇA DOMINADA - Vertedouro aberto visto por cima: milhares de metros cúbicos de água por segundo
FORÇA DOMINADA - Vertedouro aberto visto por cima: milhares de metros cúbicos de água por segundo
Uma obra que ajudasse na produção e fornecimento de energia elétrica para o cada vez mais industrializado Sudeste do País, erguida em uma região minimamente habitada e longe de qualquer grande centro de consumo. A Usina Hidrelétrica de Jaguara não é das maiores construídas no Brasil. Ainda assim é impossível não se sentir diminuto frente à muralha de concreto erguida para represar a água do Rio Grande, em Rifaina. Quase 40 anos depois de terminada sua construção, ela ainda é tão importante para o fornecimento de energia quanto quando foi idealizada, no auge da ditadura militar. A UHE Jaguara, construída em cinco anos a partir de 1966, está em território paulista. A unidade faz parte da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais), com sede em Belo Horizonte, uma das principais concessionárias de energia do Brasil, junto a outras 53 hidrelétricas. A história da construção de Jaguara não pode ser entendida fora do contexto do milagre econômico brasileiro, protagonizado e defendido pelos militares. Toda a sua produção estaria voltada ao desenvolvimento da infra-estrutura do País. Pelo decreto federal 45.415, de 12 de fevereiro de 1959, a então Companhia Geral de Minas outorgava à Cemig concessão para o aproveitamento de energia hidráulica no trecho do Rio Grande, entre os municípios de Rifaina, Pedregulho e Sacramento (MG). Dos três atingidos, Rifaina foi o mais prejudicado e diretamente beneficiado pela obra. Entre 40% e 50% da área urbana desapareceram, submersos pelas águas do reservatório que começou a se formar, levando junto 115 propriedades, e outras 49 rurais, conforme levantamento feito em 1966. Naquela época, expressões como impacto ambiental ou obras compensatórias soariam no mínimo como palavrões aos ouvidos dos engenheiros responsáveis pela obra. A ordem para deixar as propriedades vinha seguida da indenização, e nada mais. Calcula-se que o Estado tenha empenhado Cr$ 1.873.011.050 para as indenizações. Convertidos para a moeda atual, seriam perto de R$ 51 milhões. Nas palavras do gerente da usina, engenheiro Nilton Braz, é possível ter uma idéia de como as coisas funcionavam sob a espada dos generais. “Não tinha muita conversa, não. Era só a indenização e mais nada. Hoje qualquer obra fica embargada por falta de documento, relatórios de impacto ambiental, negociação com a comunidade”. O marco inaugural da UHE Jaguara foi o descerramento da placa comemorativa de início das obras, pelo presidente marechal Humberto Castelo Branco, em 1966. Em 1971, outro presidente cinco estrelas, desta vez, o general Emílio Garrastazu Médici, punha a usina efetivamente em operação.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários