O futebol foi trazido para o Brasil pelos ingleses há dois séculos para entretenimento. Formaram-se times e mais times no País; o esporte ocupou o espaço do remo, que era então o de mais adeptos, e profissionalizou-se, oferecendo a poucos jogadores altos salários e muita fama. Assim, a paixão pela camisa começou a ser item do passado para os atletas e a torcida, aos poucos, deixou de ir aos estádios. Mas aqui no interior o modo antigo de jogar permanece, como prova o 26º Campeonato de Futsal de Patrocínio Paulista, organizado pela Prefeitura.
Em uma cidade de 12176 habitantes, 24 times são formados, reúne-se mais de 280 jogadores e as partidas levam ao Ginásio Diamantão, com capacidade de 1,2 mil pessoas, uma média de 700 torcedores, durante os 30 dias de competição. Detalhe, cada equipe só pode ter um jogador que não tenha residência no município, isso para incentivar a participação massiva da população. O campeonato começou no dia 2 e a final acontece no dia 31.
É verdade que não tem nada de grama, como no futebol convencional, neste campeonato. A disputa é no futsal, uma variação do esporte criada por membros da Associação Cristã de Moços, em São Paulo, na década de 1940, mas nem por isso os dribles desconcertantes e as boas defesas deixam de existir. Pelo contrário, todos ficam atentos porque em quadra a partida torna-se muito mais rápida e habilidosa do que no campo.
O zelador do Ginásio Aloísio de Andrade Freitas, Claudinei José de Araújo, 30, está tomando conta do espaço há três anos e disse que o local é freqüentado por todo tipo de gente da cidade e alguns da região durante o campeonato. “Isso aqui é algo aguardado por todos durante o ano. Fica aquela expectativa para chegar o mês que começa o campeonato”, afirmou.
Como termômetro para demonstrar como fica a ânsia dos times em ver começar a competição, o zelador, que fica responsável por abrir o ginásio para os treinamentos, comentou que, aos sábados, os horários ficam todos ocupados. “Durante semana, acontecem outras atividades e só nos fins de semana que o pessoal pode vir.
Muitas vezes me chamam para jogar também, ainda mais quando falta gente e precisa completar o time”, disse.
E como Patrocínio Paulista também não tem muitas opções para lazer, a prefeitura aproveita para incentivar que os jogos sirvam como um programa de família e também para azaração. “Faz seis anos que sempre vou. Meu marido joga e meu tio já jogou. Vão muitos filhos e pais verem os familiares jogadores”, disse Tamyris Cristina de Oliveira, 20.
As partidas começam às 19 horas, mas o horário que chega mais pessoas é o das 20h30 até 21 horas. É o horário de poder ver adolescentes de 16 a 18 anos chegarem para a hora da paquera, nos intervalos de jogos.
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