Um fato, no mínimo, inusitado marca os trabalhos do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar no caso de Marcelo Mambrini (PMN). O presidente do conselho, Valter Gomes (PSB) é, ao mesmo tempo, julgador e réu do processo. Gomes e o também vereador Nirley de Souza (DEM) são citados no relatório do Ministério Público como averiguados pelo mesmo ato ilícito, a divisão de salários de assessores.
No caso de Gomes, seu ex-assessor, Sebastião Turquetti, exonerado em novembro último, compareceu voluntariamente ao MP e disse que foi demitido para que fossem contratadas outras quatro pessoas, ganhando R$ 400 mensais cada uma, para trabalhar na campanha de Gomes à reeleição.
A denúncia perdeu força por se tratar de uma irregularidade que seria cometida e pela falta de provas por parte do ex-assessor. “É complicado o caso, pois não há nada concreto. Tanto que o promotor Paulo Borges disse que o Valter pode trabalhar sem receio no processo do Mambrini”, afirmou o vereador Donizete da Farmácia (PMN), membro do Conselho de Ética.
A situação de Nirley, que deverá depor também nos próximos dez dias, é semelhante. Sua ex-assessora Marcia Pessoni, demitida no final de 2005, acusou Nirley de obrigá-la a pagar prestações de R$ 400 referentes ao financiamento de um carro pertencente ao irmão do vereador, Carlos de Souza. “Vamos investigar, mas à primeira vista não há provas que fundamentem a denúncia”, disse Gilson Pelizaro (PT), relator do conselho.
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